
Stream A9 — Water Loss 2026
Apresenta na Stream A9 — NRW Assessment Part B: "EU Recovery Plan Fund for Water Loss Reduction in Italy", com lições do PNRR italiano (1,9 bilhão de euros) para utilities internacionais.
Sobre o palestrante
Alberto Gambardella é Technical Consultant e gerente de projetos na ILE Utilities — empresa italiana de consultoria técnica especializada em água, com mais de 200 clientes globais. Em A9 do Water Loss 2026, apresentou o caso "EU Recovery Plan Fund for Water Loss Reduction in Italy" — análise crítica do PNRR italiano (Piano Nazionale di Ripresa e Resilienza) que destinou 1,9 bilhão de euros para projetos de redução de perdas hídricas. O contexto é dramático: Itália tem média de NRW em torno de 40% (variando 20-60%), classificada como hotspot de seca europeu, com 2026 prevendo ano particularmente seco.
Empresa italiana de consultoria técnica em água com mais de 200 clientes globais. Auxilia utilities a enfrentar desafios tecnológicos — modelagem hidráulica, gestão de pressão, planos de redução de NRW. Alberto atua como consultor técnico e gerente de projeto envolvido em vários projetos do PNRR italiano.
ILE200+A Itália é classificada cientificamente como 'hotspot' europeu de seca. A situação no sul é particularmente grave; o norte também enfrenta risco crescente de seca. Em paralelo, o NRW médio italiano fica entre 20% e 60% (40% médio nacional) — números que pioram a situação de escassez. 2026 está previsto para ser ano excepcionalmente seco.
Hotspot2026 seco"A escassez hídrica é um problema concreto na Itália — e o PNRR é a maior tentativa europeia de enfrentar isso com escala."
Tese central
O Piano Nazionale di Ripresa e Resilienza alocou 1,9 bilhão de euros especificamente para redução de perdas hídricas — montante massivo para o setor europeu. O período é de março de 2023 ao final do programa, com utilities italianas competindo por aplicação dos fundos em projetos integrados de modernização.
PNRR€1,9biA Comissão Europeia tem prazo até 2028 para definir taxa-meta universal para perdas — após isso, cada estado-membro precisa apresentar plano de ação se sua taxa de NRW estiver acima do limite. Essa pressão regulatória força utilities a se prepararem agora, antes que medidas obrigatórias entrem em vigor.
UE2028O mercado italiano de detecção de vazamentos cresce continuamente, dominado por tecnologias não-invasivas e não-destrutivas — correlação acústica, termografia, sensores in-line. A coragem para adotar essas tecnologias varia: utilities maiores adotam, menores ficam para trás. Setor privado e pesquisa empurram a fronteira.
Não-invasivoMercado"O PNRR não é só dinheiro — é a oportunidade de modernizar a infraestrutura hídrica italiana inteira em uma década."
Dados de aplicação
O retrato italiano que Alberto pinta é de pressão tripla: alta NRW (40% médio nacional), preço de energia em alta contínua (geopolítica) e diretiva regulatória europeia que força ação até 2028. O sul italiano combina os três fatores em forma agravada — escassez hídrica + alta NRW + custo de energia. O PNRR foi pensado como resposta-coordenada: 1,9 bilhão de euros para redução de perdas em projetos com baseline auditada e métricas de entrega. Os estados-membros precisam apresentar plano de ação até 2028 com conjunto de medidas para reduzir NRW. A Itália foi um dos primeiros a se mover.
"Em 2026, a previsão é de ano particularmente seco. Cada gota perdida é três vezes mais cara em ano de escassez."
Metodologia
Cada estado-membro com NRW acima do limite UE deve apresentar plano de ação contendo conjunto coordenado de medidas. O plano não é livre — segue framework metodológico definido por Bruxelas, com auditoria periódica e indicadores comparáveis entre países.
UEPlanoO mercado italiano cresce em tecnologias não-invasivas e não-destrutivas — correlação acústica avançada, sensores in-line, termografia, drones. Utilities financiadas pelo PNRR são incentivadas a adotar essas técnicas, evitando obra civil massiva e cortando tempo de implementação.
Não-destrutivoDronesAlberto destaca que adoção de novas tecnologias e gestão de pressão exigem 'coragem' da utility e parceria com setor privado e empresas de pesquisa italianas. Sem essa disposição cultural — utilities mais conservadoras estão alheias —, o financiamento PNRR não converte em resultado real.
CoragemCulturaO preço de energia subiu fortemente desde 2022 com eventos geopolíticos. Para utilities, cada m³ bombeado vira mais caro — e cada m³ perdido é energia desperdiçada. O cálculo financeiro de redução de perdas mudou completamente; recuperar um litro vale muito mais hoje que há 5 anos.
EnergiaCapExNorte da Itália: NRW perto de 20%, infraestrutura mais nova, parceiros tecnológicos próximos. Sul: NRW perto de 60%, infraestrutura legacy, escassez crônica. O PNRR direciona maior parte dos fundos para o sul, mas adoção tecnológica também precisa de capacidade institucional — e essa varia muito por região.
NorteSulCasos comparados
Utilities do norte (Veneto, Lombardia, Piemonte) com NRW perto de 20% adotam mais facilmente tecnologia avançada. PNRR aqui acelera modernização — IoT, gêmeos digitais, inteligência operacional. Capacidade institucional alta significa execução rápida dos fundos.
NorteMaduraUtilities do centro (Toscana, Lazio) ficam em zona intermediária. Recebem fundos PNRR e têm capacidade técnica razoável, mas operam com restrições orçamentárias e variação significativa de NRW entre municípios. Modelagem hidráulica e gestão de pressão são as primeiras prioridades.
CentroTransiçãoSul da Itália (Sicília, Calábria, Puglia) com NRW de 50-60%, infraestrutura legacy e escassez hídrica crônica. Aqui PNRR faz a maior diferença potencial — mas também onde a execução é mais difícil. Capacitação institucional precisa correr em paralelo com investimento físico.
SulCríticoInsights da palestra
O 1,9 bilhão de euros do PNRR é catalisador — não substitui capacidade institucional, modelagem técnica e disposição cultural da utility para mudar. Sem esses três fatores, dinheiro vira projeto incompleto. Lição replicável para BNDES, BID, fundos verdes.
A pressão regulatória europeia até 2028 cria urgência. Utilities que não se prepararem agora terão pouco tempo depois. O calendário regulatório é arma estratégica — quem se move antecipado captura tecnologia, parceiros e financiamento melhores.
Tecnologia disponível, fundos disponíveis — mas algumas utilities ficam paradas. O fator que falta é coragem cultural: aceitar trabalhar com setor privado, com pesquisa universitária, com gestão de pressão. Esse fator não aparece em planilha mas decide o resultado.
Em ano seco com energia cara, recuperar um m³ de água vale 3 ou 4x o que valia há 5 anos. O custo financeiro da perda subiu radicalmente, e isso muda completamente o ROI de qualquer projeto de NRW. Mesmo investimentos antes inviáveis viram payback rápido.
Mesmo com mesma quantia de fundo PNRR, utilities do norte executam mais rápido que as do sul — porque têm capacidade institucional acumulada. A diferença não é financeira; é organizacional. Isso ensina que financiamento sem capacitação prévia desperdiça oportunidade.
O mercado italiano cresce em tecnologias não-destrutivas — correlação acústica, sensores in-line, drones, gêmeos digitais. PNRR acelera essa tendência. A obra civil massiva fica para casos específicos; a regra agora é detecção precisa primeiro, intervenção mínima depois.
Os melhores projetos PNRR combinam três atores: utility pública, fornecedor privado de tecnologia e instituição de pesquisa italiana. Esse triângulo permite inovação aplicada — a utility traz problema, o fornecedor traz tecnologia, a pesquisa adapta e valida.
Com previsão de seca e energia cara, 2026 será o teste do PNRR — projetos iniciados em 2023 estão entrando em fase de operação. As utilities que entregam em 2026 vão definir a régua europeia. Quem não entregar perde fundos e capital político.
Filosofia técnica
A filosofia que Alberto Gambardella traz para o palco é uma equação tripla: financiamento massivo (PNRR €1,9bi), tecnologia não-destrutiva avançada e coragem cultural da utility. As três pernas precisam estar presentes; a falta de uma derruba o programa. O PNRR italiano é teste real desse tripé em escala — e os resultados de 2026-2028 vão ditar política europeia para água nas próximas décadas. Para utilities de outros países (Brasil incluído), a lição é: financiar é fácil; o difícil é construir capacidade técnica e cultural antes do dinheiro chegar.
O Marco do Saneamento brasileiro mobiliza R$ 700 bilhões — proporcionalmente comparável ao PNRR italiano. A pergunta para o setor brasileiro: estamos construindo capacidade técnica e cultural na velocidade necessária? Ou vamos repetir o erro europeu de financiar antes de capacitar?
BrasilMarcoA diretiva europeia até 2028 força utilities a se moverem agora. Sem ela, o PNRR teria menor adesão — utilities têm dificuldade de mudar sem pressão regulatória externa. A combinação de fundo + diretiva + prazo fixo gera ação real. É playbook regulatório que outros mercados podem copiar.
Diretiva2028"Financiamento sem capacidade técnica é projeto incompleto. PNRR é catalisador, não solução."