Anastasia Papadopoulou

Stream A3 — Water Loss 2026

Anastasia Papadopoulou

Apresenta na Stream A3 — Smart Water Networks, durante o Water Loss 2026 no Rio de Janeiro.

Smart Networks Stream A
Smart → Wise
Salto que ela defende para utilities
Plan-Do-Check-Act
NRW como processo contínuo
Coast Island
Caso de estudo grego apresentado
35 km
Rede do deployment AMR híbrido

Sobre a palestrante

Quem é Anastasia Papadopoulou

Engenheira mecânica grega especializada em redes de água e gestão de sistemas, Anastasia Papadopoulou trabalha na fronteira entre tecnologia smart e operação real de utilities. Sua tese central, apresentada no Water Loss 2026 em Stream A3, é uma provocação: muitas utilities hoje são "data-rich" e ainda assim não sabem para onde a água vai. Smart, dizem todos. Mas smart não basta. Ela defende uma progressão clara: smart → intelligent → wise. Cada estágio entrega valor diferente — e a maioria das utilities está presa no primeiro, achando que chegou no destino.

Foco em ilhas turísticas

Trabalho de campo em redes com sazonalidade extrema — ilhas gregas onde demanda triplica no verão. Esse contexto força uma sofisticação adicional na metodologia: médias anuais escondem o problema, e a resposta operacional precisa ser dinâmica. Coast Island é o caso-base que valida a abordagem.

GreeceTourist Islands

Engenheira de sistemas

Não é apenas sobre instalar sensores ou comprar software. Anastasia integra SCADA, AMR, GIS, IODTN em uma camada única que ela chama de "cérebro do sistema". A diferença entre projeto que entrega e projeto que vira dashboard fica nessa camada de integração — não na compra de hardware.

IntegrationSCADA + AMR + GIS

"Smart → intelligent → wise."

— Anastasia Papadopoulou, Greece · Stream A3

Tese central

Smart não basta — utilities precisam ficar wise

Smart: dados

"Um sistema smart te apoia, mas você ainda toma as decisões — automatiza, conecta, dá dados." É o estágio em que muitas utilities estão hoje: investiram em sensores e dashboards, têm dados, mas a transição para ação ainda é manual. Útil, mas insuficiente.

Smart

Intelligent: decisão

"Um sistema intelligent vai um passo além: ajuda você a decidir, prioriza ações." Aqui a camada de software começa a assumir a triagem: classifica eventos por criticidade, ordena resposta por impacto econômico, sinaliza onde o operador deve focar primeiro. Reduz cognitive load.

Intelligent

Wise: ação em tempo real

"Wise orienta operações em tempo real." É o estágio que poucos atingiram: o sistema não apenas decide — guia a operação enquanto ela acontece. Contexto dinâmico de demanda, pressão e estado da rede informam cada manobra. É o destino que Anastasia defende como meta para utilities sérias.

Wise

"Smart não basta. A maioria das utilities está presa em smart, achando que é suficiente."

— Anastasia Papadopoulou, sobre a estagnação do setor

Caso Coast Island

Os números que validam a tese

A apresentação aterrissou em uma ilha turística grega — Coast Island — onde a metodologia foi aplicada e produziu resultados mensuráveis.

7.000
Residentes em Coast Island. Um sistema pequeno em escala absoluta, mas com complexidade alta por causa da sazonalidade turística que distorce demanda. Ideal como laboratório de transição smart → wise antes de aplicar a redes maiores.
35 km
Rede de distribuição coberta pelo deployment AMR híbrido. Hybrid AMR + rede fixa + SCADA + GIS + IODTN integrados em um único sistema — "atua como o cérebro do sistema", segundo Anastasia.
3x
NRW triplica no verão em Coast Island por causa do influxo turístico. Médias anuais mascaram o problema; gestão sazonal ativa é obrigatória. É exatamente esse tipo de dinâmica que sistemas wise capturam — e sistemas smart, não.

"NRW não é apenas técnico — é diretamente econômico."

— Anastasia Papadopoulou, sobre o impacto financeiro do programa em Coast Island

Progressão metodológica

Smart → intelligent → wise na prática

1. Smart — coletar e conectar

Camada base: sensores, AMR, SCADA, GIS. Dados estruturados em séries temporais e geográficas. Automatização de alertas por threshold. Visualização para operação. É o ponto de partida obrigatório, mas Anastasia repete: ficar aqui é o erro mais comum do setor.

SensorsAMR

2. Intelligent — apoiar decisão

Camada de análise que decompõe componentes do balanço hídrico (apparent vs real losses), aplica Plan-Do-Check-Act como ciclo contínuo, prioriza ações por impacto econômico e janela temporal. Trata seasonality como variável de primeira ordem, não como ruído a ser filtrado.

Decision SupportPDCA

3. Wise — orientar operação

Camada que integra tudo em DMAs flexíveis com pressão otimizada em tempo real, recomenda ação enquanto a operação está em andamento e fecha loop com pump efficiency analysis para conectar NRW e energia. É onde tecnologia e operação se fundem em capacidade institucional.

Real-time OpsFlexible DMAs

Aplicações práticas

Coast Island e o anti-padrão da intermitência

Dois casos contrastantes da apresentação: integração que entrega resultado mensurável vs intermittent supply como amplificador de perdas.

Coast Island — integração que entrega

7.000 residentes, 35 km de rede, sazonalidade extrema. Hybrid AMR + rede fixa + SCADA + GIS + IODTN em sistema único. "Atua como o cérebro do sistema." Resultado: redução mensurável de NRW e aumento de lucratividade. A integração entre tecnologia e operação foi o ponto-chave — não a compra de cada peça isolada.

SCADAAMRGIS

Intermittent supply — anti-padrão

Cortar fornecimento para reduzir perdas é tiro no pé: aumenta stress de pressão, leakage e dano à rede. Mesmo após retomar fornecimento, água perdida não volta. "É um amplificador, não uma solução." DMAs flexíveis com pressão otimizada são o caminho oposto — pressão ótima ativamente ajustada, não pressão baixa.

Anti-patternFlexible DMAs

Pontos-chave da palestra

Insights da apresentação

NRW não é projeto, é processo contínuo

Plan, Do, Check, Act. Anastasia bate firme: programas de NRW falham não por falta de soluções, mas por incapacidade de priorizar e fechar ciclos. NRW não é um projeto pontual de R$ X com prazo Y — é um processo permanente de gestão.

DMAs flexíveis com pressão otimizada em tempo real

A nova tendência: DMAs flexíveis. Não pressão baixa — pressão ótima, ativamente ajustada. Combinação de métodos, não método único. Detecção é importante; resposta também. Tempo decorrido entre detecção e correção é, na prática, perda acumulada.

Intermittent supply é problema, não solução

Cortar o fornecimento para reduzir perdas é tiro no pé: aumenta stress de pressão, leakage e dano à rede. Mesmo após retomar fornecimento, a água perdida não volta. "É um amplificador, não uma solução." Utilities precisam parar de tratar intermitência como ferramenta de redução de NRW.

Quatro restrições reais decidem a solução

Não existe "melhor solução universal". Existe a solução que cabe em quatro restrições: dinheiro (orçamento), tempo, água (disponibilidade) e capacidade (técnica e operacional). A escolha da solução de NRW é constraint-driven, não tecnologia-driven.

Coast Island provou: integração entrega

Em 7.000 residentes e 35 km de rede, integrar SCADA + AMR + GIS + IODTN gerou redução mensurável de NRW e aumento de lucratividade. Tecnologia isolada não basta — o cérebro do sistema é a camada de integração que conecta dados a decisão a operação.

NRW também é energia

Nos EUA, água responde por ~4% do consumo total de eletricidade — 25% disso em bombeamento. Cada litro perdido carrega energia desperdiçada. Anastasia incorpora análise de eficiência de bombas (curvas reconstruídas a partir de dados de campo) à metodologia: NRW e eficiência energética são dois lados da mesma operação.

Sazonalidade exige DMAs flexíveis

Em Coast Island, demanda triplica no verão. DMAs estáticos não dão conta — só DMAs flexíveis com pressão otimizada em tempo real conseguem manter NRW controlado em todas as estações. A lição: design de rede precisa acompanhar dinâmica de demanda, não a média anual.

"Time defines the loss"

Em leakage, tempo decorrido entre detecção e correção é, na prática, perda acumulada. Detection rápido sem response rápido não entrega resultado. A separação entre "ferramenta de detecção" e "processo de resposta" precisa cair — ambas são parte do mesmo loop operacional.

Resumo gerado a partir da transcrição ao vivo via Nobox Translate com inteligência artificial.

Filosofia operacional

Da informação à sabedoria operacional

A filosofia que Anastasia leva para o palco do Water Loss 2026 é uma crítica afetuosa ao próprio setor: investimos décadas para nos tornarmos data-rich, mas paramos de evoluir antes de chegar ao destino. Smart é o ponto de partida, não a chegada. A próxima geração de utilities — as que vão sobreviver à próxima década — são aquelas que aceitam essa incompletude e investem na transição para intelligent e wise. Não é só uma escolha de software; é uma escolha de cultura organizacional, de governança de dados e de como se entende o trabalho operacional.

Plan-Do-Check-Act como cultura

NRW não é projeto de R$ X com prazo Y — é processo permanente de gestão. PDCA aplicado ao saneamento é o que separa programas que duram de programas que viram apresentação esquecida. Wise utilities tratam o ciclo como sistema operacional, não como entregável.

PDCAProcess

Constraint-driven, não tech-driven

Não existe "melhor solução universal". Existe a solução que cabe em quatro restrições: dinheiro (orçamento), tempo, água (disponibilidade) e capacidade (técnica e operacional). A escolha de tecnologia é consequência das restrições — nunca o contrário. Esse é o erro mais comum que ela vê em mercados emergentes.

ConstraintsPragmatic

"Smart → intelligent → wise."

— Anastasia Papadopoulou, Water Loss 2026 · Stream A3
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