
Stream B3 — Water Loss 2026
Apresenta na Stream B3 — Climate Resilience Planning, durante o Water Loss 2026 no Rio de Janeiro.
Sobre o palestrante
Andrew McCarthy não pôde estar presente, mas seu colega Andrew Stead, Director of Water Efficiency na Kavanaugh Associates, apresentou em seu lugar a evolução da Leakage Emissions Initiative — esforço da IWA para codificar a relação entre vazamentos e emissões de carbono. McCarthy é um dos articuladores do grupo nascido em Praga 2022 que, em quatro anos, transformou uma conversa de painel em metodologia oficial adotada pela AWWA dentro do Free Water Audit Software. Seu trabalho conecta operação de utility ao mercado financeiro de carbono.
Stead, que apresentou em nome de McCarthy, dirige a área de eficiência hídrica da Kavanaugh — consultoria americana com presença em programas de redução de NRW e auditorias hídricas. A casa contribui ativamente para padronização técnica via grupos de trabalho da IWA e AWWA.
USAWater EfficiencyMais de 60 profissionais de dezenas de países, white paper publicado, adoção pela AWWA. McCarthy ajuda a coordenar essa rede globalmente — papel raro num setor onde metodologias costumam levar décadas para virar consenso. Aqui, foram quatro anos de Praga ao Free Water Audit Software.
IWACoordenação"Nunca vi nada tão complexo, com tanta gente, mover-se tão rápido."
Tese central
A água perdida custou energia para ser captada, tratada e bombeada. Essa energia tem intensidade de carbono específica de cada utility. Reduzir leakage deixa de ser apenas métrica operacional para virar projeto climático com número auditável — exatamente o que mercados financeiros e governos exigem.
ClimateQuão suja é a energia que abastece a utility (gCO₂ por kWh)? Quanta energia a utility usa por m³ entregue? Combinando, chega-se à utility-specific carbon intensity, aplicável a cada volume do balanço hídrico para construir o Carbon Balance. Simples por design.
MethodMercados de crédito de carbono, NDCs, carbon insetting corporativo. Quando o leakage vira emissão evitável e auditável, utilities podem captar recursos via canais que antes só estavam disponíveis para projetos de energia. É a abertura de uma nova fronteira de funding.
Funding"Cada litro vazado também é carbono — e agora há metodologia para contar."
Escala global do problema
A Leakage Emissions Initiative trabalha em uma escala que move planejadores climáticos e investidores institucionais.
"Praga 2022, white paper, AWWA Free Water Audit Software — quatro anos de Praga até a adoção."
Metodologia em 4 passos
No painel de discussão da Water Loss Conference em Praga, Stuart Hamilton e outros colocaram o tema da relação entre carbono e perdas hídricas na agenda. Não havia ainda metodologia formal — apenas a percepção de que faltava uma camada climática nos números operacionais.
2022IWAFormação de subgrupo dentro do IWA Water Loss Specialist Group, com 60+ profissionais representando dezenas de países. Trabalho colaborativo aberto, com revisões iterativas e consulta ampla — exatamente o tipo de processo que costuma levar décadas no setor.
Working GroupGlobalPublicação do white paper e adoção oficial como IWA Carbon Balance. A metodologia integra a estrutura clássica do balanço hídrico, anexando intensidade de carbono a cada componente — incluindo a categoria-chave "unreported real losses", que é onde os programas de detecção de vazamentos atuam.
White PaperPublishedAWWA incorporou o Carbon Balance no Free Water Audit Software no verão passado. Quem já fez balanço hídrico só precisa preencher três células azuis — referência de carbono, energia da utility e meta de redução — para ver emissões evitáveis convertidas em número auditável.
AWWAFree ToolAplicações práticas
A parte mais interessante para Stead e McCarthy é o que a metodologia desbloqueia em financiamento — três rotas concretas já em movimento.
Califórnia, com metas agressivas de neutralidade de carbono, é o caso óbvio: redução de leakage municipal entra como contribuição estadual mensurável. Em escala nacional, o Carbon Balance permite que a redução de NRW vire item formal nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) sob o Acordo de Paris.
NDCsCaliforniaApple, Google e Microsoft já praticam carbon insetting — investem em redução de emissões dentro de suas próprias cadeias. Utilities com Carbon Balance auditável podem virar fornecedores de redução verificável dentro dessas cadeias corporativas, atraindo capital privado para renovação de rede.
AppleGoogleMicrosoftStead aposta que o que aconteceu na energia — créditos com valor de mercado para projetos que evitam emissões — pode acontecer com leakage. Isso atrairia desenvolvedores e novos pools de capital para utilities que hoje lutam para financiar renovação de rede e detecção de vazamentos.
CreditsMarketsPontos-chave da palestra
Cerca de 150 bilhões de metros cúbicos de água doce captada são perdidos por ano globalmente. S&P Global já cita que NRW desincentiva investimento em infraestrutura hídrica e que enfrentá-lo mitiga emissões globais de gases de efeito estufa — algo que sai do espaço operacional e entra no espaço do mercado financeiro.
AWWA incorporou o Carbon Balance no Free Water Audit Software no verão passado. Quem já fez balanço hídrico só precisa preencher três células azuis — referência de carbono, energia da utility e meta de redução — o resto é automático e mostra emissões associadas a vazamentos e o potencial de redução.
Não existe número global. Cada utility tem mix energético próprio e quantidade de energia diferente para produzir cada metro cúbico. Por isso o método começa com fonte pública para estimar e refina ao longo do tempo, igual à evolução de um water audit que melhora a cada ciclo.
Dos componentes do balanço, "unreported real losses" é a categoria que programas de detecção de vazamentos efetivamente atacam. Mostrar emissões associadas a essa fatia conecta a operação técnica diária com metas climáticas verificáveis — e abre a porta para financiamento ESG e relatórios de sustentabilidade.
Stead aposta que o que aconteceu na energia — créditos com valor de mercado para projetos que evitam emissões — pode acontecer em projetos de redução de leakage. Isso atrairia desenvolvedores e novas fontes de capital para utilities que hoje lutam com investimento em renovação de rede e detecção de vazamentos.
Califórnia, com metas agressivas de neutralidade de carbono, é um caso óbvio: redução de leakage municipal entra como contribuição estadual. Apple, Google e Microsoft já fazem carbon insetting; utilities com Carbon Balance podem virar fornecedores de redução verificável dentro dessas cadeias corporativas.
O ritmo é raro no setor. De um painel de discussão em 2022 ao IWA Carbon Balance oficial e adoção pela AWWA dentro do Free Water Audit Software no verão de 2025. Stead chama a atenção para a velocidade: "nunca vi nada tão complexo, com tanta gente, mover-se tão rápido".
Bancos multilaterais, fundos ESG e cadeias de suprimentos corporativas pedem números auditáveis. O Carbon Balance entrega isso para uma utility em três células do Free Water Audit Software — antes só existia em consultorias caras. Acesso democratizado é o ponto.
Resumo gerado a partir da transcrição ao vivo via Nobox Translate com inteligência artificial.
Filosofia técnica
A Leakage Emissions Initiative não é apenas mais uma metodologia de balanço — é uma reframing da operação de utility. Reduzir leakage, antes vista apenas como métrica técnica, vira projeto climático com número auditável. Quando essa moldura é aceita, a utility ganha acesso a canais de financiamento que antes só estavam disponíveis para projetos de energia renovável: créditos de carbono, NDCs nacionais, insetting corporativo de empresas de tecnologia. McCarthy aposta que essa é a próxima fronteira de funding para o setor.
A operação técnica diária — patrulhamento de ALC, gestão de pressão, renovação de rede — passa a ter contraparte climática mensurável. Não muda o que se faz; muda como se reporta. E muda quem está disposto a financiar.
ReframingOperationsQuatro anos de Praga 2022 ao AWWA Free Water Audit Software é um ritmo raro no setor. McCarthy e a iniciativa demonstram que, com governança clara e demanda de mercado evidente, padrões técnicos complexos podem ser construídos em escala global rapidamente.
SpeedStandards"Nunca vi nada tão complexo, com tanta gente, mover-se tão rápido."