Calza Francesco

Stream B3 — Climate Resilience · Water Loss 2026

Calza Francesco

Engenheiro da Iren (grupo SEPA, norte da Itália). Referência europeia em conexão entre redução de perdas e estratégia climática — transforma o balanço hídrico tradicional em um balanço de carbono replicável para concessionárias do mundo todo.

Iren Reggio Emilia Climate Strategy Carbon Footprint DMAs PESTLE
1.500 Mt
CO2 evitadas em 10 anos
19 GWh
Energia elétrica poupada
44 Mm³
Volume anual gerenciado
87%
Cobertura de modelo calibrado

Sobre o palestrante

Quem é Calza Francesco

Engenheiro da Iren, multi-utility do norte da Itália que opera redes de água em Parma, Reggio Emilia, Genova, Savona, Las Palmas e Piacenza. Calza coordena o programa de redução de perdas que a IWA elegeu como caso de referência europeu para integração entre gestão de NRW e estratégia climática. Sua abordagem traduz a operação diária de DMAs, modelagem hidráulica e detecção acústica em uma linguagem de carbono que dialoga com financiadores, reguladores europeus e os próprios conselhos das utilities.

Engenharia Iren em escala europeia

Iren atua sob o guarda-chuva do grupo SEPA, com 600 km sob gestão de pressão contínua e mais de 2.000 km sob monitoramento permanente. Calza lidera o que se tornou uma das operações mais maduras da Europa em redução de perdas reais, integrando setorização em DMAs, gestão de pressão, detecção acústica e modelos de rede calibrados em uma única plataforma de decisão.

IrenMulti-utilitySEPA

Reggio Emilia como laboratório

Desde os anos 1980 a região executa renovação progressiva de rede e implementação de DMAs. Hoje, 87% da cidade está coberta por modelo de rede calibrado e mais de 70% sob detecção ativa. Esse histórico produziu uma base de dados de campo confiável que permitiu à IWA escolher a província como caso piloto da metodologia de cálculo de CO2 ligado a vazamentos.

Reggio EmiliaCaso piloto IWA

“Cada metro cúbico recuperado carrega valor ambiental, além do econômico.”

— Calza Francesco, Iren / Reggio Emilia

Tese central

Redução de perdas é estratégia climática

Calza defende que perdas de água não são apenas um problema operacional ou financeiro — são, antes de tudo, um vetor de emissão. Cada metro cúbico vazado carrega energia incorporada de captação, tratamento e bombeamento. Reduzir perdas, portanto, é reduzir a pegada de carbono da concessionária. A integração entre as duas agendas não é rétoríca; é a base de uma métrica auditável.

Energia incorporada

Toda a água que sai do sistema antes de chegar ao cliente foi captada, tratada, pressurizada e bombeada. Esse trabalho energético tem um custo de CO2 que pode ser quantificado e atribuído diretamente às perdas reais, transformando vazamento em indicador de sustentabilidade.

EnergiaCO2

Agenda única

Departamentos de NRW e de sustentabilidade costumam falar idiomas diferentes. A tese de Calza unifica esses idiomas num único balanço, permitindo que CFO, diretor de operações e ESG officer compartilhem o mesmo painel de métricas.

ESGGovernança

Lente PESTLE

Iren analisa perdas pela ótica política, econômica, social, tecnológica, ambiental e legal — conforme as boas práticas da Comissão Europeia de 2015. Essa abordagem multidimensional é o que torna a estratégia replicável em diferentes contextos regulatórios.

PESTLEUE

“Gestão de perdas e estratégia climática são uma só agenda.”

— Calza Francesco, Iren / Reggio Emilia

Números do caso

Resultados em uma década de Reggio Emilia

Comparando 2013 e 2023, a Iren documentou queda contínua de perdas reais e do consumo elétrico de bombeamento, mesmo com crescimento populacional na região. A água perdida foi convertida em kWh e em toneladas de carbono dioxido pela metodologia desenvolvida com a consultoria Aizol. O resultado é uma das poucas curvas auditadas do mundo que conecta NRW a CO2 com rastreabilidade mês a mês.

1.500 Mt
Megatoneladas de CO2 equivalente evitadas em 10 anos. Equivalente a tirar mais de 6 bilhões de quilômetros rodados por carro a gasolina ou queimar 2.000 toneladas de carvão a menos.
19 GWh
Eletricidade poupada entre 2013 e 2023, mesmo com aumento de população e demanda. O ganho operacional superou o crescimento de carga — um dos indicadores mais robustos de eficiente desacoplamento.
600 km
Sob gestão de pressão ativa e mais de 2.000 km monitorados continuamente. A escala da infraestrutura instrumentada é o que permite a confiabilidade do balanço de carbono.

“Cobrimos 87% da rede com modelo calibrado — sem isso, não haveria balanço de carbono crível.”

— Calza Francesco, sobre os pré-requisitos da metodologia

Metodologia Iren-Aizol

Do balanço hídrico ao balanço de carbono

Etapa 1 — Balanço hídrico

A base é o balanço hídrico clássico da IWA: input system volume, consumo autorizado, perdas aparentes, perdas reais. Cada componente entra com volume e referência espacial dentro de DMAs gerenciáveis, garantindo que o carbono final possa ser desagregado por zona.

IWABalanço hídrico

Etapa 2 — Conversão em GWh

Cada componente do balanço recebe sua intensidade energética específica: kWh por m³ captado, tratado e bombeado. Os volumes perdidos são multiplicados por essa intensidade, gerando um equivalente em GWh diretamente atribuível ao NRW.

kWh/m³Energia

Etapa 3 — Fator de emissão

O GWh perdido é convertido em toneladas de CO2 pelo fator de emissão específico da rede elétrica do norte da Itália (gramas de CO2 por kWh). O resultado é um balanço padrão de carbono que espelha o balanço hídrico, com cada componente expresso em intensidade energética e de emissão.

gCO2/kWhCarbon balance

Casos e replicabilidade

Reggio Emilia como modelo europeu

Reggio Emilia — o caso central

Meio milhão de habitantes, 44 milhões de m³/ano de input, 87% da rede com modelo calibrado e mais de 70% sob detecção ativa. Foi a base que permitiu à IWA validar a metodologia. Os 1.500 Mt CO2 evitados em 10 anos são um indicador concreto de que cada m³ recuperado tem valor ambiental além do econômico.

IWACaso piloto

Replicabilidade europeia

A metodologia foi desenhada para ser exportada. Qualquer utility com balanço hídrico maduro, telemetria de bombeamento e fator de emissão local da rede elétrica pode rodar o mesmo cálculo. Calza sustenta que a barreira não é técnica — é institucional: conectar departamentos de NRW e de sustentabilidade.

ReplicabilidadeUE

Linguagem para financiadores

As 1.500 Mt CO2 viraram um argumento de captação de recursos: bancos de desenvolvimento, green bonds e contratos de performance ambiental aceitam a métrica como proxy de impacto verificável. O ganho ambiental se traduz em linguagem que dialoga com investidores e reguladores.

Green bondsFinanciamento

Implicações para o Brasil

Concessionárias brasileiras com setorização avançada e telemetria de bombeamento podem adotar a metodologia com adaptação do fator de emissão do SIN. O Marco do Saneamento abre espaço regulatório para esse tipo de métrica de impacto, especialmente em contratos de PPP com cláusulas ambientais.

BrasilSIN

Pontos-chave da palestra

Insights e takeaways

Perda de água é questão climática

Cada metro cúbico vazado carrega energia incorporada de captação, tratamento e bombeamento. Reduzir vazamento é reduzir diretamente a pegada de carbono da concessionária.

Setorização contínua como base

A rede de Reggio Emilia está sendo completamente re-setorizada em DMAs com modelo calibrado em 87% da área, criando a base de dados que viabiliza qualquer análise de carbono robusta.

PESTLE como abordagem estratégica

A Iren analisa perdas pela ótica política, econômica, social, tecnológica, ambiental e legal, conforme as boas práticas da Comissão Europeia de 2015 sobre gestão de perdas.

Balanço de carbono padronizado

A metodologia Iren-Aizol espelha o balanço hídrico tradicional, mas com cada componente expresso em intensidade energética e de emissão. Isso permite comparações diretas entre concessionárias.

Eficiência mesmo com mais demanda

Apesar de aumento da população e da demanda no período, o consumo elétrico do sistema caiu 19 GWh, mostrando que ganho operacional supera o crescimento de carga.

Impacto em escala tangível

As 1.500 megatoneladas de CO2 evitadas equivalem a 6 bilhões de quilômetros rodados ou 2.000 toneladas de carvão queimado — linguagem que dialoga com financiadores e reguladores.

Gestão de pressão em larga escala

Mais de 600 km da rede da Iren estão sob gestão ativa de pressão, com mais de 2.000 km monitorados continuamente — um dos maiores perímetros operados na Europa nesse modelo.

Modelo replicável

A metodologia foi desenhada para exportação: qualquer utility com balanço hídrico maduro e fator de emissão local pode rodar o mesmo cálculo, conectando NRW à agenda climática corporativa.

Filosofia da abordagem

Engenharia que fala a linguagem do clima

Calza defende que a próxima fronteira da gestão de perdas não está em uma nova tecnologia de detecção, mas na capacidade de traduzir os ganhos operacionais em métricas que importem para conselhos, reguladores e mercado de capitais. A engenharia da Iren prova que isso é possível quando o balanço hídrico, a infraestrutura instrumentada e o fator de emissão local conversam num único modelo. O futuro pertence às utilities que dominam essa síntese.

Dado de campo como ativo estratégico

A confiabilidade do balanço de carbono depende da qualidade do balanço hídrico que o alimenta. Investir em DMAs, telemetria e modelos calibrados deixa de ser custo operacional e vira ativo de governança climática — algo que pode ser auditado e financiado.

DadoGovernança

Cooperação internacional

A escolha da IWA por Reggio Emilia como caso piloto reforça que a redução de perdas precisa de protocolos comuns. Calza articula a Iren com utilities europeias e brasileiras para difundir a metodologia, reforçando que o problema climático exige resposta coordenada entre operadores.

IWACooperação

“Quando se mede vazamento em CO2, o conselho passa a ouvir o engenheiro de campo.”

— Calza Francesco, Iren / Reggio Emilia
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