
Stream B3 — Climate Resilience · Water Loss 2026
Engenheiro da Iren (grupo SEPA, norte da Itália). Referência europeia em conexão entre redução de perdas e estratégia climática — transforma o balanço hídrico tradicional em um balanço de carbono replicável para concessionárias do mundo todo.
Sobre o palestrante
Engenheiro da Iren, multi-utility do norte da Itália que opera redes de água em Parma, Reggio Emilia, Genova, Savona, Las Palmas e Piacenza. Calza coordena o programa de redução de perdas que a IWA elegeu como caso de referência europeu para integração entre gestão de NRW e estratégia climática. Sua abordagem traduz a operação diária de DMAs, modelagem hidráulica e detecção acústica em uma linguagem de carbono que dialoga com financiadores, reguladores europeus e os próprios conselhos das utilities.
Iren atua sob o guarda-chuva do grupo SEPA, com 600 km sob gestão de pressão contínua e mais de 2.000 km sob monitoramento permanente. Calza lidera o que se tornou uma das operações mais maduras da Europa em redução de perdas reais, integrando setorização em DMAs, gestão de pressão, detecção acústica e modelos de rede calibrados em uma única plataforma de decisão.
IrenMulti-utilitySEPADesde os anos 1980 a região executa renovação progressiva de rede e implementação de DMAs. Hoje, 87% da cidade está coberta por modelo de rede calibrado e mais de 70% sob detecção ativa. Esse histórico produziu uma base de dados de campo confiável que permitiu à IWA escolher a província como caso piloto da metodologia de cálculo de CO2 ligado a vazamentos.
Reggio EmiliaCaso piloto IWA“Cada metro cúbico recuperado carrega valor ambiental, além do econômico.”
Tese central
Calza defende que perdas de água não são apenas um problema operacional ou financeiro — são, antes de tudo, um vetor de emissão. Cada metro cúbico vazado carrega energia incorporada de captação, tratamento e bombeamento. Reduzir perdas, portanto, é reduzir a pegada de carbono da concessionária. A integração entre as duas agendas não é rétoríca; é a base de uma métrica auditável.
Toda a água que sai do sistema antes de chegar ao cliente foi captada, tratada, pressurizada e bombeada. Esse trabalho energético tem um custo de CO2 que pode ser quantificado e atribuído diretamente às perdas reais, transformando vazamento em indicador de sustentabilidade.
EnergiaCO2Departamentos de NRW e de sustentabilidade costumam falar idiomas diferentes. A tese de Calza unifica esses idiomas num único balanço, permitindo que CFO, diretor de operações e ESG officer compartilhem o mesmo painel de métricas.
ESGGovernançaIren analisa perdas pela ótica política, econômica, social, tecnológica, ambiental e legal — conforme as boas práticas da Comissão Europeia de 2015. Essa abordagem multidimensional é o que torna a estratégia replicável em diferentes contextos regulatórios.
PESTLEUE“Gestão de perdas e estratégia climática são uma só agenda.”
Números do caso
Comparando 2013 e 2023, a Iren documentou queda contínua de perdas reais e do consumo elétrico de bombeamento, mesmo com crescimento populacional na região. A água perdida foi convertida em kWh e em toneladas de carbono dioxido pela metodologia desenvolvida com a consultoria Aizol. O resultado é uma das poucas curvas auditadas do mundo que conecta NRW a CO2 com rastreabilidade mês a mês.
“Cobrimos 87% da rede com modelo calibrado — sem isso, não haveria balanço de carbono crível.”
Metodologia Iren-Aizol
A base é o balanço hídrico clássico da IWA: input system volume, consumo autorizado, perdas aparentes, perdas reais. Cada componente entra com volume e referência espacial dentro de DMAs gerenciáveis, garantindo que o carbono final possa ser desagregado por zona.
IWABalanço hídricoCada componente do balanço recebe sua intensidade energética específica: kWh por m³ captado, tratado e bombeado. Os volumes perdidos são multiplicados por essa intensidade, gerando um equivalente em GWh diretamente atribuível ao NRW.
kWh/m³EnergiaO GWh perdido é convertido em toneladas de CO2 pelo fator de emissão específico da rede elétrica do norte da Itália (gramas de CO2 por kWh). O resultado é um balanço padrão de carbono que espelha o balanço hídrico, com cada componente expresso em intensidade energética e de emissão.
gCO2/kWhCarbon balanceCasos e replicabilidade
Meio milhão de habitantes, 44 milhões de m³/ano de input, 87% da rede com modelo calibrado e mais de 70% sob detecção ativa. Foi a base que permitiu à IWA validar a metodologia. Os 1.500 Mt CO2 evitados em 10 anos são um indicador concreto de que cada m³ recuperado tem valor ambiental além do econômico.
IWACaso pilotoA metodologia foi desenhada para ser exportada. Qualquer utility com balanço hídrico maduro, telemetria de bombeamento e fator de emissão local da rede elétrica pode rodar o mesmo cálculo. Calza sustenta que a barreira não é técnica — é institucional: conectar departamentos de NRW e de sustentabilidade.
ReplicabilidadeUEAs 1.500 Mt CO2 viraram um argumento de captação de recursos: bancos de desenvolvimento, green bonds e contratos de performance ambiental aceitam a métrica como proxy de impacto verificável. O ganho ambiental se traduz em linguagem que dialoga com investidores e reguladores.
Green bondsFinanciamentoConcessionárias brasileiras com setorização avançada e telemetria de bombeamento podem adotar a metodologia com adaptação do fator de emissão do SIN. O Marco do Saneamento abre espaço regulatório para esse tipo de métrica de impacto, especialmente em contratos de PPP com cláusulas ambientais.
BrasilSINPontos-chave da palestra
Cada metro cúbico vazado carrega energia incorporada de captação, tratamento e bombeamento. Reduzir vazamento é reduzir diretamente a pegada de carbono da concessionária.
A rede de Reggio Emilia está sendo completamente re-setorizada em DMAs com modelo calibrado em 87% da área, criando a base de dados que viabiliza qualquer análise de carbono robusta.
A Iren analisa perdas pela ótica política, econômica, social, tecnológica, ambiental e legal, conforme as boas práticas da Comissão Europeia de 2015 sobre gestão de perdas.
A metodologia Iren-Aizol espelha o balanço hídrico tradicional, mas com cada componente expresso em intensidade energética e de emissão. Isso permite comparações diretas entre concessionárias.
Apesar de aumento da população e da demanda no período, o consumo elétrico do sistema caiu 19 GWh, mostrando que ganho operacional supera o crescimento de carga.
As 1.500 megatoneladas de CO2 evitadas equivalem a 6 bilhões de quilômetros rodados ou 2.000 toneladas de carvão queimado — linguagem que dialoga com financiadores e reguladores.
Mais de 600 km da rede da Iren estão sob gestão ativa de pressão, com mais de 2.000 km monitorados continuamente — um dos maiores perímetros operados na Europa nesse modelo.
A metodologia foi desenhada para exportação: qualquer utility com balanço hídrico maduro e fator de emissão local pode rodar o mesmo cálculo, conectando NRW à agenda climática corporativa.
Filosofia da abordagem
Calza defende que a próxima fronteira da gestão de perdas não está em uma nova tecnologia de detecção, mas na capacidade de traduzir os ganhos operacionais em métricas que importem para conselhos, reguladores e mercado de capitais. A engenharia da Iren prova que isso é possível quando o balanço hídrico, a infraestrutura instrumentada e o fator de emissão local conversam num único modelo. O futuro pertence às utilities que dominam essa síntese.
A confiabilidade do balanço de carbono depende da qualidade do balanço hídrico que o alimenta. Investir em DMAs, telemetria e modelos calibrados deixa de ser custo operacional e vira ativo de governança climática — algo que pode ser auditado e financiado.
DadoGovernançaA escolha da IWA por Reggio Emilia como caso piloto reforça que a redução de perdas precisa de protocolos comuns. Calza articula a Iren com utilities europeias e brasileiras para difundir a metodologia, reforçando que o problema climático exige resposta coordenada entre operadores.
IWACooperação“Quando se mede vazamento em CO2, o conselho passa a ouvir o engenheiro de campo.”