Clarissa Campos de Sá

Stream A8 — Water Loss 2026

Clarissa Campos de Sá

Apresenta na Stream A8 — NRW Assessment Part A: contrato de performance da Companhia Águas de Joinville (CAJ) para redução de perdas e segurança hídrica em Santa Catarina, financiado pelo BID.

Stream A8 Brasil Joinville-SC CAJ
20
Anos na CAJ
68k
Ligações abrangidas
830
km de rede
42%
Da área do município

Sobre a palestrante

Quem é Clarissa Campos de Sá

Clarissa Campos de Sá tem 20 anos de carreira na Companhia Águas de Joinville (CAJ) — uma das principais concessionárias de saneamento de Santa Catarina. Em A8, apresentou o caso "Contrato de performance para redução de perdas: inovação, eficiência e segurança hídrica para o futuro de Joinville", uma operação financiada pelo BID que cobre 4 setores da zona sul, 68.000 ligações e 830 km de rede — cerca de 42% do município. Joinville representa um modelo brasileiro de contrato performado de grande escala, com foco em sustentabilidade institucional e replicabilidade para outras concessionárias do Sul do país.

Companhia Águas de Joinville (CAJ)

A CAJ é a concessionária responsável pelo saneamento da maior cidade catarinense. Há 20 anos opera com desafios de cadastro de rede, crescimento urbano descontínuo e perfil industrial peculiar. A operação contratada com o consórcio Vita Ambiental + parceira de São Paulo é um marco no padrão de governança técnica da empresa.

CAJSC

Financiamento BID

O contrato é financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em modelo de implementação obrigatória mais apuração de performance. O cronograma total é de 27 meses fixos: 3 meses de planejamento, 21 meses de implantação e 12 meses de apuração — com um adicional de 7 meses financiados pelo BID conforme entrega de marcos.

BID27 meses

"Estamos há 20 anos esperando esse momento — agora é a fase de colheita."

— Clarissa Campos de Sá, CAJ

Tese central

Modelagem hidráulica é o passo que define o sucesso

8 meses só de modelagem hidráulica

O ponto que mais fez diferença, segundo Clarissa, foi o engenheiro especialista em modelagem hidráulica que parou tudo durante 8 meses para construir o modelo da zona sul. Sem conhecer hidraulicamente o sistema, dificuldades de meta seriam insuperáveis. É o investimento de pré-projeto que economiza dinheiro nas fases seguintes.

Modelagem8 meses

Sectorização hidráulica não isolada

O abastecimento na zona sul antes do projeto não era hidraulicamente isolado entre setores — havia mistura de fluxo entre as 12 DMCs originais. Para fazer manutenção, era preciso fechar grandes áreas e deixar população sem água por horas. A sectorização nova reduziu drasticamente o tempo de intervenção.

SectorizaçãoDMC

Bonificação até 120% da meta

O contrato fixa 100% como meta integral e permite até 120% para bonificação adicional. R$ 48 milhões correspondem ao pagamento de 100%, podendo subir 20% adicionais se as metas são superadas. Essa estrutura de bônus motiva o consórcio a entregar acima do mínimo — e a CAJ deve atingir os 120% no fechamento de maio.

120%R$ 48mi

"Sem conhecer hidraulicamente nosso sistema, teríamos enorme dificuldade de atingir as metas."

— Clarissa Campos de Sá em A8

Dados de aplicação

Trajetória: de meta dura à fase de colheita

A operação cobre 4 setores da zona sul de Joinville, somando 68.000 ligações e 830 km de rede — cerca de 42% do total municipal. Antes do projeto, a perda da região era superior à média do município, com 12 DMCs originais e indicadores baixos de pesquisa. Pesquisaram 2.076 km — mais que o dobro do escopo mínimo de 1.090 km — e atingiram 51 vazamentos por km, contra 46 v/km da pesquisa inicial. O contrato fechou em 22% de perda nos últimos 20 meses (média móvel) — caminho real para o teto de 120% de bonificação.

2.076
km pesquisados pelo consórcio — mais do que o dobro do escopo mínimo contratual de 1.090 km. O contrato performado incentiva pesquisar além do contratado quando o resultado vale.
38
VRPs instaladas em 4 anos — em ritmo equivalente a 20 unidades por ciclo, com gestão padronizada das válvulas. A pressão média da rede caiu de 105 MCA em alguns pontos para níveis controlados.
22%
Índice de perda nos últimos 12 meses (média móvel) — caindo de patamar inicial significativamente maior. A meta contratual segue até maio com previsão de 120% atingido.

"Pesquisamos mais que o dobro do contratado porque o contrato de performance se molda — quanto mais você pesquisa, mais vazamento você acha."

— Clarissa Campos de Sá, sobre a flexibilidade do modelo

Metodologia

Modelagem + sectorização + pesquisa intensiva

Modelo hidráulico antes do escopo mínimo

Esse foi o ponto que diferenciou o projeto. 8 meses de modelagem hidráulica para entender o comportamento real da zona sul antes de definir escopo mínimo. Investimento alto antes da execução, mas que evita decisões erradas durante a obra.

ModelagemPré-projeto

Substituição preventiva de rede

O modelo identificou trechos de rede que precisavam ser substituídos preventivamente, não apenas corretivamente. Foi um conceito mais ousado que o tradicional 'reparar quando vaza': substituir trechos com alto risco de falha mesmo sem incidente recente.

PreventivoSubstituição

VRPs + boosters + pressão controlada

Implantação de 38 VRPs e boosters para gerir pressão. Pontos antes em 105 MCA passaram a operar em pressão média controlada — reduzindo vazamentos em 50% por estresse mecânico e estendendo vida útil dos ativos.

VRPBooster

Cadastro + GIS — gargalo crítico

A CAJ tem 20 anos e nunca recebeu cadastro completo de rede. Durante o projeto isso virou ponto crítico — a equipe foi a campo várias vezes com informação incorreta. A lição: cadastro finalizado precisa ser pré-requisito; sem isso, contrato tem aditivos de prazo, multas e atrasos.

CadastroGIS

Mão de obra qualificada — concorrência

Joinville é cidade industrial com forte concorrência por mão de obra qualificada. O consórcio teve que trazer funcionários de São Paulo e até dos EUA para sustentar a operação. Lição operacional: contrato performado em região aquecida precisa prever custo de mobilização externa.

RHMobilização

Casos comparados

Antes vs. depois: pressão, perda e tempo de intervenção

Antes — 105 MCA, sem isolamento

Pontos da rede operavam em 105 MCA — pressão extremamente alta. Sem isolamento hidráulico entre as 12 DMCs, qualquer manutenção fechava grandes áreas e deixava população sem água. Vazamento por estresse mecânico era frequente.

Antes105 MCA

Durante — escopo expandido

A pesquisa contratual era 1.090 km; o consórcio executou 2.076 km, dobrando a cobertura. Em VRPs, contrato previa 20; instalaram 38. A flexibilidade do contrato performado permitiu adaptação dinâmica — quanto mais valia recuperar, mais se investia em pesquisa adicional.

Durante2x escopo

Depois — fase de colheita

Hoje a perda da zona sul está em 22% (média 12 meses) e a meta de 120% deve ser atingida no fechamento de maio. A operação migrou de 'crise crônica' para 'colheita estável' — e a CAJ pode replicar o modelo para outros setores do município nos próximos contratos.

Depois22%

Insights da palestra

Lições aprendidas em Joinville

Investir 8 meses em modelagem é o melhor seguro

Antes de definir escopo mínimo, parar tudo por 8 meses para construir modelo hidráulico parece caro — mas evita decisões erradas durante implantação. Sem o modelo, dificilmente Joinville teria atingido o resultado de 22%.

Cadastro inexistente vira gargalo crônico

A CAJ tem 20 anos e nunca recebeu cadastro de rede completo. Durante o projeto, a equipe foi a campo com informação incorreta múltiplas vezes. Lição: cadastro finalizado é pré-requisito de qualquer contrato sério de NRW.

Pesquisar mais quando dá retorno

O consórcio pesquisou 2.076 km contra 1.090 km mínimos — porque o contrato performado se molda. Quando há volume de vazamento esperando ser detectado, faz sentido econômico ampliar pesquisa além do contrato. O incentivo se distribui ao longo do projeto.

Joinville importa mão de obra de SP e EUA

Cidade industrial em Santa Catarina com forte competição por mão de obra. O consórcio precisou trazer funcionários de São Paulo e dos EUA. Em região aquecida, contrato performado precisa prever custo de mobilização externa significativo.

Áreas críticas no fim da operação

Lição que dói: as áreas mais difíceis ficaram para o final — a empresa começa pelas áreas fáceis e deixa as críticas no encerramento. O ideal seria atacar primeiro as áreas de maior impacto, mas a curva de aprendizado leva o consórcio a outro caminho.

Operação conjunta CAJ + consórcio

No campo, é praticamente uma operação conjunta — CAJ e consórcio precisam saber a cada momento o que está sendo feito, onde, e por quem. A proximidade evita conflito de comunicação com a população e perda de eficiência operacional.

Multas + aditivos = realidade brasileira

O contrato fixa multas por dia de não cumprimento — mas no Brasil, contratos têm histórico longo de aditivos de prazo e valor. Joinville viu essa realidade na prática: cadastro falho gerou aditivos. Modelo precisa prever esses cenários.

120% como teto e como meta

A bonificação até 120% da meta é o que faz o consórcio ir além do mínimo. R$ 48 milhões corresponde a 100%; o adicional de até 20% é o incentivo para entrega excelente. Em Joinville, a expectativa é fechar em 120% — modelo que vale ser replicado.

Filosofia técnica

Modelagem antes, performance depois, lições nunca terminam

A filosofia que Clarissa traz para o palco é radical no contexto brasileiro: investir tempo significativo em modelagem hidráulica antes de definir escopo de obra. Em uma indústria onde "já que estamos lá, vamos abrir e ver" ainda predomina, parar 8 meses só para modelar parece luxo. A apresentação de Joinville desfaz isso — a modelagem é a única forma de garantir que escopo mínimo, baseline e meta estão tecnicamente fundamentados. O resto (VRPs, pesquisa, troca) flui em consequência. Joinville é exemplo concreto de que governança técnica + financiamento BID + contrato performado + capacidade institucional dos 20 anos pode entregar resultado replicável.

Capacidade institucional acumulada

Os 20 anos de Clarissa na CAJ contam — não como tempo de empresa, mas como conhecimento institucional acumulado sobre a rede, os bairros, os clientes. Em redução de perdas, esse capital é tão valioso quanto a tecnologia. Sem ele, mesmo o melhor consórcio falha.

20 anosConhecimento

Realismo sobre limitações brasileiras

Cadastro de rede inexistente, mão de obra escassa, aditivos contratuais — Clarissa não esconde os tropeços. Em vez de defender o caso como sucesso impecável, ela apresenta as lições aprendidas com transparência. É o tipo de honestidade técnica que falta no setor brasileiro.

TransparênciaLições

"Estou apaixonada pela perda — e sei o quanto ela ainda tem para nos ensinar."

— Clarissa Campos de Sá, fechamento de A8
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