
Stream C8 — Digital Transformation — Water Loss 2026
Engenheira da COBRAP apresenta caso de modelagem hidráulica em município paulista de 130 mil habitantes — sectorização que reduziu 9 MCA de pressão e expôs labirinto invisível de cadastro técnico.
Sobre a palestrante
Cláudia Batista é engenheira na COBRAP, sediada em São Paulo, atuando desde 2013 com contratos de performance em redução de perdas. Na Stream C8 fez sua estreia como palestrante internacional — Tom Crowder, chair, comemorou: "It's the first time that she's presented. So I think she did really, really well." Sua apresentação foi em português brasileiro com tradução simultânea. Trouxe um caso real de modelagem hidráulica em município paulista de 130 mil habitantes — caso emblemático de cadastro incompleto, redes não documentadas e operação "no escuro" típica de utilities brasileiras de médio porte.
Sediada em São Paulo, capital. Atua com contratos de performance em redução de perdas — modelo onde o ganho de NRW vira receita do contratado. "I work with performance contract." Contexto que força disciplina técnica: cada MCA reduzido vira valor mensurável.
COBRAPPerformance contractPrimeira apresentação em conferência internacional. Tom Crowder fez questão de destacar: "Claudia said that was the first time she presented. She did really well. What came out of that — the data we use for water loss management — the more precise the data, the more you can do to reduce." Reconhecimento técnico de chair experiente.
First timeRecognition"Não precisamos esperar dado perfeito. Não acredito que existe limitação de conhecimento neste momento. Podemos começar agora — não precisamos do mapa perfeito para começar a fechar nossas torneiras."
Tese da palestra
"Our technical records are a living being of our system. The technical record is not a photograph of the past — it's a living asset." Cadastro precisa ser atualizado a cada operação, não tratado como entrega congelada de projeto. Tese cultural antes de técnica.
Living assetUpdates"Two pillars of efficiency: hydraulic modeling together with cadastre updates. Robust results require an absolute fusion — virtual simulation with field investigation. One does not survive without the other." Modelo aponta inconsistência; campo confirma e atualiza; modelo recalibra. Loop sem fim.
Model+FieldCycle"Zé da Água always has to be involved — he has the information that the university can't have." Personagem real de utilities brasileiras: técnico de campo com 30+ anos no município, conhece cada conexão. Modelo sem Zé da Água é palpite.
Field knowledgeBrazilian context"O modelo não substitui a rua, mas sempre direciona o time para identificar onde estão as inconsistências de forma mais rápida."
Dados apresentados
O caso apresentado é de um município paulista de aproximadamente 130 mil habitantes. Cenário inicial: pressão média de 40 MCA, sem sectorização, sem cadastro completo. Após o ciclo modelagem-campo-DMC: pressão média de 31 MCA, redução de 9 MCA. O resultado não veio só de modelagem — veio de identificar redes "não-existentes no cadastro" via análise de modelo + visita técnica.
Abordagem técnica
"Initially when we are going to start a project in a municipality, we get together — and with that, our first model, the preliminary hydraulic model, will refer to bed measurement points first." Não se espera dado perfeito; modela-se com o que existe e usa-se o gap como roteiro de campo.
PreliminaryImperfect"He has the information that the university can't have." Calibração não é só matemática — é validação humana com técnicos de campo veteranos. Eles sabem onde tem PRV trocada, conexão sem registro, válvula fechada que ninguém anotou. Modelo sem essa entrevista é frágil.
CalibrationTacit"Networks that had been planned and were non-existent in the register — only with the evaluation we were able to identify these inquiries." O modelo expõe redes não-cadastradas. Time vai a campo, valida fisicamente, atualiza GIS. Cadastro técnico vira ativo vivo, não documento congelado.
InconsistencyUpdateCasos / Aplicações
Caso central da palestra. Inicial: 40 MCA pressão, cadastro fragmentado, sem DMC. Final: 31 MCA, 11 macro-setores, DMCs operando, PRVs com set point dinâmico, redução tangível de NRW. Modelo replicável em centenas de municípios brasileiros similares.
São Paulo130kCícero Ferreira Batista (CH) levantou a questão na sessão: "It's very important for you to say that we don't have to wait to have ideal data." Cláudia respondeu confirmando: começar com modelo imperfeito é sempre melhor que esperar dados perfeitos que nunca chegam.
Q&AImperfect dataSem o modelo, era impossível delimitar setores. Cláudia explicou: "Networks that had been planned and were non-existent in the register — only with the evaluation could we identify them." Redes fantasmas no cadastro, redes reais sem registro. Modelo é único caminho viável para sectorizar.
Ghost networkSectorize"They also talked about our employees, our team — demonstrate how important it is for them within our product, so they stay engaged in the work and also feel part of it." Modelo exige operadores que confiem na simulação. Sem esse engajamento, recomendação técnica não vira ação de campo.
EngagementTrustPontos-chave
"We don't need to wait for perfect data — start with what exists." Tese principal. Modelagem hidráulica imperfeita já direciona equipe; modelo perfeito que nunca chega não direciona ninguém.
Pressão caiu de 40 MCA para 31 MCA via DMCs e PRVs. Resultado tangível de contrato de performance — cada MCA reduzido vira valor para a utility e para a COBRAP.
"The technical record is a living being of our system — not a photograph of the past." Cadastro precisa ser atualizado a cada operação, não tratado como entrega de projeto.
"Robust results require absolute fusion — virtual simulation with field investigation. One doesn't survive without the other." Tese contra a fantasia de modelo puro como verdade.
Conhecimento tácito de técnicos veteranos é input crítico de calibração. Sem entrevista de campo, o modelo perde inteligência local.
Análise de simulação revela redes que existem no cadastro mas não na rua, e redes que existem na rua mas não no cadastro. Sem modelo, sectorização correta é impossível.
Técnico que não confia no modelo não vai a campo confirmar. Cláudia tratou engajamento como pilar metodológico, não como soft skill periférica.
"Will hydraulic modeling be a bureaucratic cost or a heart tool through loss control?" — provocação final. Utility decide se trata cadastro como obrigação ou como ativo estratégico.
Filosofia / Conclusão
Cláudia Batista entrega no Water Loss 2026 a tese de uma engenheira que opera há 13 anos com perdas reais: modelagem hidráulica não é entrega de consultoria — é prática contínua que exige cadastro vivo e equipe engajada. O caso do município paulista de 130 mil habitantes é emblemático: -9 MCA de pressão, sectorização em 11 macro-setores e exposição de redes-fantasma no cadastro técnico. Tudo começou com dados imperfeitos, simulação aproximada e visita ao Zé da Água. Para utilities brasileiras de médio porte, a leitura é direta: parar de esperar mapa perfeito, começar a operar ciclo modelagem-campo-cadastro-decisão. Os ganhos vêm rápido — o que demora é a mudança cultural que sustenta a metodologia.
Modelo de remuneração em que ganho de NRW vira receita do contratado força disciplina técnica. Cada MCA reduzido é valor mensurável; cada DMC mal calibrada é receita perdida. Sem performance contract, modelagem hidráulica vira cosmético.
PerformanceDisciplineTese cultural antes de técnica: cadastro precisa ser atualizado por operadores, técnicos e modelistas em ciclo contínuo. Utility que trata cadastro como entrega de projeto está condenada a refazer modelo do zero a cada novo projeto.
LivingContinuous"Modelagem hidráulica é custo burocrático ou ferramenta de coração no controle de perdas? A utility decide."
Resumo gerado a partir da transcrição ao vivo via Nobox Translate com inteligência artificial.