
Stream B2 — Leak Detection · Water Loss 2026
Arquiteto de soluções sênior e cientista de dados na Aegea, operação Águas Guariroba (Campo Grande/MS). Demonstra como a integração entre app de campo, GIS e telemetria multiplica a produtividade da pesquisa de vazamentos em escala nacional brasileira.
Sobre o palestrante
Arquiteto de soluções sênior e cientista de dados na Aegea, o maior grupo privado de saneamento do Brasil. Atua na área de inteligência operacional, integrando GIS, telemetria, inteligência artificial e geotecnologia para apoiar decisões de campo em mais de 4.700 km de rede em Campo Grande (MS). É uma das vozes brasileiras mais articuladas sobre como conectar o operador de campo às plataformas de dados — defendendo que a aceitação do operador é o que separa a tecnologia que funciona daquela que vira PDF morto.
A Aegea atua nas cinco regiões do Brasil com centenas de contratos de saneamento, buscando ser referência em universalização e eficiência. A área de inteligência operacional vem incorporando IA e geotecnologia como ferramentas estratégicas para apoiar decisões em campo e gestão de ativos hídricos — padrão que se replica entre concessões.
AegeaBrasilUniversalizaçãoEm Campo Grande, MS, a operação Águas Guariroba virou laboratório do grupo. É ali que Danilo testa a integração entre app de campo, GIS, telemetria e modelos de previsão — antes de exportar a metodologia para outras concessões Aegea no país. O contexto local (Pantanal, secas severas, El Niño) tornou a operação ainda mais sensível ao clima.
Campo GrandeMS“A tecnologia só gera valor quando o operador adota.”
Tese central
Danilo defende que a fronteira da redução de perdas no Brasil não está em sensores de ponta, mas na integração entre GIS, app móvel e o próprio operador de campo. Quando essa integração é bem feita, o registro de cada ocorrência vira ativo de gestão — e o mapa concentra a decisão de priorização, deslocando recursos da reatídade cronológica do chamado para a recuperação volumétrica máxima.
O app foi desenvolvido em conjunto com a equipe operacional. A premissa é brutalmente simples: sem adesão de quem usa em campo, qualquer geotecnologia perde efeito. Com ela, cada registro de ocorrência vira dado de gestão, alimentando indicadores e contratos de performance.
UXCo-designOs pontos vermelhos no mapa indicam onde estão as maiores incidências. A equipe de reparo ataca primeiro as zonas de maior recuperação volumétrica — não a ordem cronológica do chamado. É uma mudança de lógica: do reativo para o prioritário.
PriorizaçãoGISDanilo conecta a Aegea aos dados da Climatempo e a mais de 170 sensores de telemetria próprios. Modelos de previsão a 6h e a médio prazo deslocam a operação do modo reativo para o preditivo: as manobras são preparadas antes do pico de demanda, não durante.
TelemetriaPrevisão“O operador em campo com geotec multiplica produtividade.”
Números do caso
A operação em Campo Grande consolidou indicadores que sustentam contratos de performance e remuneração por desempenho. O mapeamento de quase cinco mil quilômetros de rede com priorização orientada a dados gerou impacto financeiro mensurável e abriu caminho para a expansão nacional do modelo dentro do grupo Aegea.
“Cada ponto vermelho no mapa é uma decisão de alocação, não um chamado em ordem.”
Metodologia em campo
O time de campo usa um app próprio, co-desenhado com os operadores, para registrar cada ocorrência: ruas pesquisadas, tipo de vazamento (rede, ramal, cavalete), fraude e validação do cliente. Tudo georreferenciado em tempo real, eliminando a ida ao escritório para pegar plantas e roteiros.
AppCo-designAs ocorrências acumuladas alimentam um mapa de calor onde os pontos vermelhos concentram as maiores incidências. Esse mapa é a base de decisão diária do gestor — substitui a planilha cronológica de chamados por uma visão de prioridade volumétrica.
HeatmapGISA equipe de reparo ataca primeiro as zonas de maior recuperação volumétrica. Indicadores monitorados (ruas pesquisadas, lista de vazamentos, fraudes, validação) sustentam contratos de performance e modelos de remuneração por desempenho dentro da Aegea.
PriorizaçãoPerformanceCasos e replicabilidade
Mais de 4.700 km de rede mapeados, 25% de ganho de produtividade documentado e 427 mil m³/ano identificados como recuperáveis. R$ 617 mil/ano de economia em estimativa conservadora — sem contar o ganho energético e a melhora no atendimento ao cliente. É o caso que valida o modelo antes da expansão nacional.
MSCaso ancoraA solução foi desenhada para ser replicável: a mesma lógica de app, GIS e priorização de pontos vermelhos pode ser aplicada nas dezenas de outros contratos da Aegea pelo país, gerando escala nacional sem reinventar a operação a cada adesão.
AegeaEscalaCalor extremo e baixa umidade alteram demanda e pressão. Integrar previsão climática com telemetria de bombeamento permite preparar manobras antes do pico, reduzindo o custo de decisões reativas. Em MS, com secas do Pantanal, esse fator vira tema de sobrevivência operacional.
ClimatempoPrevisãoO modelo é particularmente potente para utilities brasileiras de médio porte, que têm equipes operacionais conhecidas, mas faltam ferramentas digitais. O custo de entrada é baixo: app simples + GIS leve + integração de telemetria básica já produzem ganho mensurável no primeiro ano.
Médio porteBrasilPontos-chave da palestra
O aplicativo foi co-desenhado com a equipe de campo para garantir usabilidade. Sem adesão do operador, qualquer geotecnologia perde efeito; com ela, o registro de ocorrências vira ativo de gestão.
Os pontos vermelhos indicam onde estão as maiores incidências, permitindo priorização objetiva: a equipe de reparo ataca primeiro as zonas de maior recuperação volumétrica, não a ordem cronológica do chamado.
A operação monitora ruas pesquisadas, lista de vazamentos, tipos (rede, ramal, cavalete), fraudes e validação do cliente. Esses indicadores sustentam contratos de performance e remuneração por desempenho.
A solução foi desenhada para ser replicável: a mesma lógica de aplicativo, GIS e priorização de pontos vermelhos pode ser aplicada nas outras dezenas de contratos da Aegea, gerando escala nacional.
Calor extremo e baixa umidade alteram demanda e pressão. Integrar previsão climática com telemetria de bombeamento permite preparar manobras antes do pico, reduzindo o custo de decisões reativas.
Os 427.000 m³/ano identificados como recuperáveis traduzem-se em R$ 617 mil/ano de economia em uma estimativa conservadora, além do impacto sobre eficiência energética e atendimento ao cliente.
A telemetria própria da concessão é o que permite cruzar pressão, vazão e dados climáticos. É o substrato técnico que viabiliza a transição do reativo para o preditivo na operação de campo.
Os modelos de previsão a 6h e médio prazo só funcionam quando os dados de campo são limpos e contínuos. O app é o que garante a qualidade da entrada — e a IA só agrega valor depois desse fundamento.
Filosofia da abordagem
Danilo defende que a transformação digital de uma utility brasileira não começa no escritório — começa no caminhão de pesquisa de vazamento. A diferença entre uma plataforma que entrega resultado e uma que vira PDF morto está na adesão do operador. Cada decisão de produto, cada integração de dado, cada modelo de IA tem que passar pelo crivo de quem está em campo às 5h da manhã. Esse é o segredo do modelo Aegea: começar pelo usuário final.
Antes de medir produtividade, mede-se adesão. Se o operador não usa o app todo dia, o resto do sistema falha. Por isso o desenvolvimento do produto é iterativo, com feedback semanal das equipes de campo — e o KPI primário do time de TI é usabilidade, não sofisticação.
AdesãoUXA escolha por simplicidade no design da solução não é modesta — é estratégica. A Aegea precisa replicar o modelo em dezenas de concessões e contextos diferentes. Sofisticação local destrava ganho local, mas mata escala nacional. Danilo otimiza pelo segundo.
EscalaBrasil“Tecnologia que não é usada em campo é PDF caro.”