
Stream B10 - Water Loss 2026 - 29 abr
Apresenta na Stream B10 (Capacity building and HR issues) o paper "Bodas de Prata" - 25 anos do programa de certificacao de profissionais em deteccao de vazamentos nao visiveis no Brasil, conduzido pela ABENDI com apoio das companhias de saneamento.
Sobre o palestrante
Debora Soares e engenheira e especialista da SABESP - companhia de saneamento de Sao Paulo - com 31 anos de trajetoria na area. E coordenadora do comite tecnico do programa brasileiro de certificacao em deteccao de vazamentos nao visiveis, conduzido pela ABENDI (Associacao Brasileira de Ensaios Nao Destrutivos e Inspecao). Apresenta na Stream B10 do Water Loss 2026 (29/04, manha) o paper "Bodas de Prata" - 25 anos de existencia do programa, com balanco institucional, evolucao metodologica e proximos desafios. E voz da memoria viva do programa.
A apresentacao tem dois suportes institucionais: a SABESP (operadora) que da escala operacional, e a ABENDI (associacao) que da estrutura tecnica de certificacao. Debora pertence a SABESP mas representa o comite ABENDI - simbiose que define o programa.
SABESPABENDIA Stream B10 reune papers sobre capacitacao e RH no setor. Faz sentido: certificacao e o ato formal pelo qual o conhecimento operacional vira capacidade reconhecida. Debora apresenta o programa que profissionalizou a deteccao de vazamentos no Brasil.
Stream B10Certification"You can have the best technology, but without certified people who know how to use it, you do not get the desired result."
Tese central
A tese central que Debora articula e que tecnologia sozinha nao reduz vazamentos - precisa de profissional certificado que saiba usa-la. Boa parte do servico de pesquisa de vazamentos no Brasil e realizada por terceirizados; sem certificacao, a qualidade fica refem do fornecedor. O programa criado em 2000, com tres niveis (inspetor, tecnico, coordenador), padroniza o conhecimento e da garantia a contratante.
O programa estrutura a profissao em tres niveis: inspetor (nivel 1), tecnico responsavel pelo relatorio (nivel 2) e coordenador que valida resultados (nivel 3). Cada um exige horas minimas de treinamento - 24, 32 e 40 horas respectivamente.
Level 1-2-3Debora descreve a estrutura como tripod: o profissional a ser certificado, a empresa contratante (com necessidade de servico de qualidade) e a entidade certificadora independente (que nao tem interesse comercial no resultado). Sem qualquer um, certificacao perde valor.
TripodO programa criou procedimento padronizado: selecao da area, medicao de pressao (preparatoria), varredura com haste de escuta, geofone, correlacao acustica, perfuracao de confirmacao e registro meticuloso. Nenhuma etapa pode ser pulada - garantia de qualidade.
Procedure"Certification is a tripod: examined, examiner and third independent party."
Dados e numeros
O programa de certificacao em deteccao de vazamentos nao visiveis comemora 25 anos. Os numeros de Debora documentam a evolucao: criado em 2000, primeiros exames realizados em janeiro daquele ano, projeto e construcao do campo de ensaios em 2008, reconhecimento institucional em 2009 e centena de profissionais certificados desde entao - massa critica que sustenta o setor.
"In January 2000, the first exams started - 25 years later, the programme is reference."
Metodologia
A metodologia que Debora detalha e estruturada em quatro pilares: pre-requisitos (experiencia profissional, treinamento, acuidade visual), exame teorico (banco de questoes elaborado pelo comite), exame pratico em campo de ensaios (com vazamentos simulados) e emissao de certificado com validade limitada (renovacao periodica obrigatoria).
Antes do exame, o candidato precisa comprovar experiencia profissional minima, ter feito treinamento em escola reconhecida pela ABENDI e passar em teste de acuidade visual e geometria. Filtros eliminam candidato sem base.
PrerequisiteO banco de questoes e elaborado por comite tecnico com representantes de operadoras, ABENDI e academia. Questoes cobrem fisica de propagacao acustica, hidraulica de redes, equipamentos e procedimentos. Atualizacao periodica conforme evolui a tecnologia.
TheoryO campo de ensaios em Sao Paulo - construido em 2008 - tem rede simulada com vazamentos artificiais em pontos conhecidos pelos examinadores. O candidato faz a varredura sem saber onde os vazamentos estao - encontra-los e a prova pratica.
PracticalCasos e descobertas
O caso mais ilustrativo do programa que Debora apresenta e a propria construcao do campo de ensaios em Sao Paulo - infraestrutura fisica que viabiliza o exame pratico padronizado. Sem ela, certificacao ficaria so no papel. Com ela, e possivel testar candidatos em condicoes controladas e comparaveis - ano apos ano, garantindo coerencia da certificacao.
O projeto e a construcao do campo - 2008 - foi marco institucional. Reune rede simulada com tubos de varios materiais e diametros, vazamentos em pontos conhecidos so pelos examinadores e sistema de recirculacao da agua para nao desperdicar. Engenharia educacional.
Field 2008Em setembro de 2009, o programa recebeu reconhecimento institucional formal - selo que da peso ao certificado emitido. Esse reconhecimento e o que diferencia certificado oficial de "certificado caseiro" emitido por treinamento de fornecedor.
2009O certificado tem validade limitada - profissional precisa renovar periodicamente. Esse desenho garante que nao e papel para arquivar - e licenca viva para operar. Quem nao renova perde a credencial.
RenewalInsights da palestra
Os insights que Debora deixa apos 25 anos do programa sao concretos: certificacao da garantia ao contratante, profissionaliza a categoria, eleva o piso tecnico do mercado - e e modelo replicavel para outras areas (gestao de pressao, balanco hidrico). O Brasil tem caso pioneiro que pode ser exportado.
Para a operadora que terceiriza pesquisa de vazamentos, exigir certificacao ABENDI e a forma mais barata de comprar qualidade. Substitui processo licitatorio caro por filtro tecnico padronizado.
Antes da certificacao, "pesquisador de vazamentos" era ocupacao informal sem reconhecimento. Apos 25 anos do programa, e profissao com tres niveis de carreira e formacao reconhecida.
A certificacao eleva o piso tecnico de todo o mercado - mesmo empresas que nao certificam ainda precisam treinar funcionarios em paralelo para competir. Externalidade positiva para o setor.
O modelo - tres niveis, exame teorico mais pratico em campo de ensaios, validade limitada - pode ser replicado para gestao de pressao, balanco hidrico, calibracao de medidores. Cada uma dessas areas hoje carece de certificacao.
O programa brasileiro e referencia ibero-americana. Apresentar no Water Loss 2026 e abrir porta para exportacao do modelo - utilities de Mexico, Chile, Colombia podem adotar a estrutura ABENDI.
Debora e memoria viva - acompanhou os 25 anos. O proximo desafio que ela aponta: incorporar tecnologias mais novas (satelite, IA) ao escopo da certificacao para nao deixar o programa obsoleto.
O desenho tripod - examinado, contratante, terceiro - evita conflito de interesse. A entidade certificadora nao tem interesse comercial no resultado. Estrutura simples mas que define legitimidade.
O programa sobreviveu 25 anos porque tem ancora institucional - SABESP, maior operadora do pais, exige certificacao em contratos. Sem essa demanda forte de utility, programa nao se sustenta.
Filosofia
A filosofia que Debora defende - construida em 25 anos de programa - e que conhecimento operacional, quando estruturado em certificacao reconhecida, vira bem publico do setor. Ele deixa de ser propriedade de empresa fornecedora ou de operadora isolada e passa a ser ativo coletivo - acessivel a qualquer profissional disposto a se qualificar, garantia para qualquer contratante. Bodas de Prata e celebracao desse patrimonio coletivo.
Antes da certificacao, conhecimento de deteccao era proprietario - cada empresa com seu jeito, dificil de auditar. Apos 25 anos do programa, e bem publico do setor - estruturado, padronizado, acessivel a quem se qualifique.
Public GoodEm programa de 25 anos, profissionais como Debora carregam memoria viva. Sua obrigacao nao e so manter o programa - e formar a proxima geracao de coordenadores que vao continuar a evolucao quando ela e os pioneiros se aposentarem.
Living Memory"After 25 years, the programme is no longer of one company - it is heritage of the sector."