
Stream A9 — Water Loss 2026
Apresenta na Stream A9 — NRW Assessment Part B: contrato híbrido de performance e manutenção em Guarulhos-SP, operado pela Intersu (subsidiária da Aegea), atingindo média de 171% das metas e pico de 200%.
Sobre o palestrante
Diego Cuenca é gestor da Intersu — subsidiária da Aegea — responsável pelo programa de redução de perdas em Guarulhos, São Paulo, há 7 anos. Apresentou em A9 a evolução de três contratos sucessivos na região: o primeiro performado (2019), o segundo híbrido com foco em VRPs (2022) e o terceiro de manutenção com componente performado (2025). A área coberta atende cerca de 1,2 milhão de habitantes, com históricos de intermitência, alta perda e baixa pressão crônica que foi revertido por engenharia de excelência aplicada com disciplina ao longo dos ciclos contratuais.
A Intersu é subsidiária da Aegea, maior operadora privada de saneamento da América Latina, atuando em Guarulhos com escopo integrado: pesquisa de vazamentos, gestão de pressão, modelagem hidráulica, troca de hidrômetros e operações comerciais. A presença de 7 anos no município permitiu evolução contratual sem ruptura — cada novo modelo absorve aprendizado do anterior.
AegeaIntersu2019: primeiro contrato performado puro. 2022: contrato híbrido com foco em VRPs e gestão de pressão. 2025: contrato de manutenção com componente performado, focado em sustentar resultado já atingido. Cada modelo se ajustou às lições do anterior — e a região saiu de caos de abastecimento para sistema controlado e sustentável.
2019-2025Evolução"Pegamos um sistema em caos completo e o transformamos em sistema eficiente."
Tese central
Diego mostra que contratos típicos de manutenção se preocupam apenas com correção — esperar o vazamento aparecer e reparar. O resultado é gasto contínuo sem impacto em perdas. O modelo híbrido inverte: parte do pagamento depende de prevenção e redução de ocorrências, não apenas de tempo de resposta.
HíbridoPrevençãoNo início, apenas 5 VRPs operavam (e mal). Hoje, 105 VRPs ativas em toda a área. A gestão de pressão recuperou mais de 440.000 m³ acumulados em volume — equivalente a um ano de abastecimento de cidade pequena como Fernando de Noronha.
VRPPressãoNo primeiro contrato performado (2019), a média de cumprimento foi de 171%, com pico de 200% — dobrando a meta. Esse desempenho não é sorte: vem de modelagem hidráulica, sectorização adequada, pesquisa intensiva e equipe disciplinada. A Aegea formaliza esse padrão como modelo replicável.
200%Meta dobrada"Em contrato de manutenção tradicional, você só corrige. No modelo híbrido, você previne — e isso muda tudo."
Dados de aplicação
Em sete anos, Guarulhos saiu de caos para controle. Maria Dirce — bairro periférico operado pela Intersu — é o caso emblemático. Antes da intervenção, Sônia (residente citada no contexto) acordava às 3h da manhã para lavar roupa porque era o único momento com pressão; hoje dorme tranquila porque o abastecimento é contínuo. As VRPs passaram de 5 (desativadas e mal mantidas) para 105 ativas. O resultado: 440.000 m³ recuperados, redução de 75% no tempo médio de reparo, e queda das reclamações de falta d'água de 37 ocorrências/mês para 4.
"Sônia me disse que agora pode dormir tranquila. Antes, lavava roupa às 3h da manhã."
Metodologia
Stack tecnológica: plataforma de BI para acompanhamento de KPIs, AutoCAD para projetos, modelo hidráulico para simulação de cenários. Tudo conectado para tomar decisão sobre onde focar pesquisa, qual VRP ajustar, qual hidrômetro trocar — em escala de cidade média brasileira.
BICADA sectorização não foi pontual — toda a área coberta passou por reconfiguração hidráulica com 105 VRPs operando como protetores ativos da rede. Cada VRP tem padrão de operação documentado, manutenção preventiva e ajuste fino baseado em telemetria.
Sectorização105 VRPsA equipe se divide em campo (pesquisa, reparo, troca) e análise (BI, modelagem, planejamento). A análise direciona o campo — não há saída de equipe para 'olhar' a rede sem hipótese baseada em dado. Eficiência operacional aumenta significativamente quando ações são focadas.
Campo+AnáliseDisciplinaO programa de Guarulhos é referenciado como caso de aplicação direta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 da ONU — água potável e saneamento. Cada m³ recuperado é mais água disponível para a população, e cada cliente atendido em horário regular reduz desigualdade no acesso.
ODS-6ONUAnálise de dados de hidrômetros e ouvidoria juntas — quando o BI cruza queda de consumo com chamada na ouvidoria, identifica fraude, vazamento intra-domiciliar ou hidrômetro defeituoso com precisão. Substitui ronda física de inspeção e reduz custo.
BIOuvidoriaCasos comparados
Sistema com 5 VRPs mal operando, alta perda real e comercial, deficiência de oxigênio, baixa pressão, demora em reparos. Reclamações de falta d'água frequentes. Maria Dirce tinha água apenas em horários específicos da madrugada — vida da população estruturada em torno disso.
2019CaosSegundo contrato com foco em VRPs e gestão de pressão. Início de telemetria robusta, cruzamento de dados de hidrômetros e ouvidoria. A frente de pesquisa de vazamentos e reparo se profissionaliza. Resultado: redução significativa de NRW e estabilização da pressão.
2022VRPTerceiro contrato é de manutenção, mas com componente performado — sustentar o resultado já atingido. As ações são 100% preventivas; a tensão deixa de ser corretiva. Sônia (residente) deixou de acordar às 3h. Maria Dirce virou exemplo.
2025SustentaçãoInsights da palestra
Diego defende fortemente o modelo híbrido em vez de contrato de manutenção tradicional. No tradicional, você gasta recursos para corrigir; no híbrido, gasta para prevenir e é remunerado pelo resultado. A receita fixa cria espaço para a empresa investir em prevenção sem perder margem.
Sônia, residente de Maria Dirce, é o caso citado de impacto humano: lavava roupa às 3h da manhã porque era a única hora com pressão. Hoje dorme tranquila. A redução de NRW vira melhoria de qualidade de vida tangível — métrica que vale tanto quanto perda em m³.
Diego liga o programa diretamente ao ODS-6 da ONU — água potável e saneamento. Esse alinhamento estratégico facilita financiamento (BNDES, BID), legitima ações com regulador e dá narrativa institucional para a operação.
5 VRPs viraram 105. Resultado: 440.000 m³ recuperados — equivalente a 1 ano de Fernando de Noronha. Cada VRP isolada tem impacto pequeno; o conjunto, em uma rede inteira, tem impacto regional.
No primeiro contrato, média de 171% e pico de 200% (dobro da meta). Esse desempenho não vem de meta fácil — vem de equipe que entende o sistema profundamente e age sobre ele com precisão. É o tipo de resultado que justifica o modelo.
Antes, fechamentos de manutenção eram longos — pessoal ficava sem água por horas. Com sectorização e equipe ágil, o tempo médio caiu 75%. Reclamações de falta d'água caíram de 37 por mês para 4 — métrica visível para a população.
Stack de software integrada: BI consome dados de campo, AutoCAD documenta projetos, modelo hidráulico simula cenários. Cada decisão de campo (qual VRP ajustar, onde pesquisar) tem fundamento técnico documentado — não é instinto, é dado.
O contrato de 2025 mira 100% de manutenção preventiva — não esperar que vaze para ir lá. A inspeção programada baseada em modelo hidráulico e dados de campo antecipa as ocorrências críticas. Em 5 anos, o objetivo é zero correção emergencial.
Filosofia técnica
A filosofia que Diego Cuenca traz para o palco é a da engenharia de excelência aplicada com disciplina ao longo de ciclos contratuais sucessivos. Em vez de ver cada contrato como ato isolado, a Intersu construiu sequência de aprendizado: 2019 (performado puro), 2022 (híbrido com VRPs), 2025 (manutenção com performance). Cada modelo absorve aprendizado do anterior. O resultado em Guarulhos é prova de conceito de uma operação de redução de perdas em escala que vai além de NRW — entrega qualidade de vida (Sônia dorme), aderência a ODS-6 e modelo de governança replicável dentro do grupo Aegea.
Sete anos com mesma operadora. Sem rotação contratual, o conhecimento institucional fica e cresce. Cada contrato sucessivo é mais eficiente porque a equipe já conhece a rede, os bairros, os clientes. É a antítese do modelo de licitação curta que destrói capital institucional.
7 anosContinuidadeO programa não vê redução de perdas como problema só técnico. Há componente humano (Sônia, qualidade de vida) e comercial (combate à fraude, regularização de ligações). O equilíbrio entre as três frentes é o que sustenta o resultado a longo prazo.
Triplo eixoSustentável"Engenharia de excelência aplicada com disciplina ao longo do tempo — esse é nosso modelo."