Dylan Clarke-Herbert

Stream C4 — NRW Assessment Part A — Water Loss 2026

Dylan Clarke-Herbert

Avaliação e gestão de perdas de água em sistemas de distribuição em Barbados — diagnóstico bottom-up usando top-down, BABE e minimum night flow em três DMAs piloto.

Stream C Barbados NRW Assessment DMA BABE
30%
Meta de redução de NRW
3 DMAs
Áreas piloto avaliadas
~70%
Real losses no input volume
<2%
Commercial e unbilled losses

Sobre o palestrante

Quem é Dylan Clarke-Herbert

Dylan Clarke-Herbert é o consultor técnico que assinou a primeira avaliação de perdas em DMA na utility de Barbados, abrindo a manhã da Stream C4 — NRW Assessment Part A do Water Loss 2026. Sua apresentação documenta um caso clássico do Caribe: utility com infraestrutura instalada (sectorização, equipes, infraestrutura física), meta agressiva de 30% de redução de NRW, mas estratégia limitada à substituição de tubulação reativa. "It's never a proactive, it's always just a reactive approach", resume sobre o status quo. O trabalho dele consistiu em provar, com três DMAs piloto, que avaliação top-down, BABE e minimum night flow chegam a resultados consistentes — e que real losses são o componente dominante que explica o gap entre a meta e a operação atual.

Barbados — utility com meta de 30% de NRW

A utility de Barbados opera há anos com sectorização ampla, equipes dedicadas e infraestrutura monitorada — mas a avaliação NRW vinha sendo feita esporadicamente e o único KPI ativo era a meta sistêmica. "Despite having all of this infrastructure in place, NRW infrequently done." Sem avaliação por DMA, qualquer decisão sobre intervenções era cega: a equipe não sabia onde estavam as perdas.

BarbadosNRW

Três DMAs piloto, três abordagens convergentes

O método: três DMAs com características distintas (clientes, fontes — incluindo brackish water e fresh water, idades de rede), avaliados em paralelo por top-down approach, burst & background estimate (BABE) e minimum night flow. "Various DMAs have various characteristics, various customers, various types of source water — brackish water, fresh water." A escolha foi proposital: provar que os métodos convergem mesmo em contextos heterogêneos.

3 DMAsTop-down

"It's never a proactive, it's always just a reactive approach."

— Dylan Clarke-Herbert, sobre a estratégia atual da utility de Barbados

Tese da palestra

Sem avaliação por DMA, mains replacement não resolve NRW

Reativo não chega a 30%

A estratégia atual — substituir tubulação à medida que falha — atende ocorrências mas não muda a curva de NRW. "The strategy currently being used by the organization is simply to replace the old infrastructure." Sem ALD (active leakage detection) e sem speed of repair management, a meta de 30% fica inalcançável: o sistema gera perdas mais rápido do que consegue reparar.

Reactive30%

Real losses são o componente dominante

A avaliação top-down dos três DMAs revelou padrão: real losses dominam, commercial e unbilled losses representam menos de 2% do system input volume. "The real losses were the dominant component in all, with the commercial losses and the unbilled losses representing less than 2%." Conclusão prática: focar em apparent losses não move o ponteiro. O problema é hidráulico — vazamentos reais — e exige resposta hidráulica.

Real lossesHydraulic

Mains replacement não é a primeira alavanca

"Mains replacement is a good solution, but is not the primary solution." Substituir tubulação é caro e deve ser limitado a casos onde a utility já quantificou as perdas e identificou DMAs com infraestrutura crítica. Antes disso, ALD e speed of repair management entregam mais redução por dólar investido — sem o burden financeiro pesado.

MainsCapEx

"Mains replacement is a good solution, but is not the primary solution. It's a heavy financial burden for the organization."

— Dylan Clarke-Herbert, sobre priorização de alavancas de NRW

Dados apresentados

Três DMAs, três métodos, resultados convergentes

O experimento de Dylan rodou em três DMAs piloto com características diferentes — clientes, source water, idade da rede — e usou três métodos de avaliação em paralelo. O objetivo era validar se os números convergem ou divergem, e onde estão os principais componentes de perda. Os resultados são suficientemente alinhados para fundamentar uma estratégia sistêmica baseada em real losses.

~70%
Real losses como fração do system input volume nos DMAs avaliados pelo método minimum night flow. "The real losses would have been very high, say 70%." Os resultados foram quase idênticos aos do top-down approach — convergência que valida o diagnóstico.
<2%
Commercial losses + unbilled losses somados representaram menos de 2% do system input volume. Confirma que apparent losses não são a alavanca em Barbados — qualquer programa de redução precisa atacar real losses primeiro para mover a meta de 30%.
3 DMAs
Áreas piloto avaliadas, escolhidas com características distintas para testar generalização. Diferentes tipos de cliente, fontes de água (brackish vs. fresh) e idades de rede — o método precisava se mostrar robusto em contextos heterogêneos antes de ser aplicado na malha sistêmica.

"The real losses were the dominant component in all, with the commercial losses and the unbilled losses representing less than 2% of the system input volume."

— Dylan Clarke-Herbert, sobre os componentes do NRW em Barbados

Abordagem técnica

Top-down + BABE + minimum night flow em paralelo

Top-down approach

Ponto de partida: input volume da DMA, balanço de água, decomposição em authorised consumption, commercial losses e real losses. "Immediately using the top-down approach, we were able to immediately quantify the components of non-revenue water." Permite o primeiro recorte rápido — sem instrumentação adicional, usando dados que a utility já tem (mesmo que com qualidade desigual).

Top-downWater balance

Minimum night flow para validar

Monitoramento de algumas semanas em cada DMA para isolar consumo legítimo noturno e estimar real losses pelo flow durante a janela de mínimo consumo. "Similar results that we would have seen in the top-down approach." A convergência entre top-down e MNF confirmou que os números não eram artefato de uma só metodologia — eram realidade hidráulica do sistema.

MNFValidation

BABE para decompor real losses

Tendo confirmado que real losses dominam, aplicou-se o BABE (burst & background estimate) para decompor: reported bursts, unreported bursts e background leakage. "The utility was able to provide sufficient data with respect to the reported bursts. Unfortunately, there wasn't much information on the unreported leaks." Para o gap, usaram dados empíricos — abrindo a próxima fronteira de instrumentação.

BABEBursts

Casos / Aplicações

O metering inconsistente que distorce todo o resultado

Metering inconsistente — leituras estimadas vs. reais

O grande achado da fase top-down: períodos com leitura estimada seguidos de uma leitura real eventualmente distorcem todo o histórico. "In some instances, you would have periods where readings were estimated, and then maybe later on down the year, you got to take an actual reading — it skewed the results." Antes de avaliar perdas, a utility precisa fechar o ciclo de leitura efetiva.

MeteringData quality

GIS e CIS desatualizados

A segunda recomendação repetida em todas as DMAs: atualizar o GIS e o customer information system. Sem registro fiel de quem está em qual DMA, o balanço de água é fictício. "Update the GIS and customer information system, just so that we are actually matching the correct information to the correct DMAs." Sem isso, qualquer KPI deriva e perde força no convencimento interno.

GISCIS

DMA com network plástico recente — e ainda assim com perdas altas

Um dos casos mais reveladores: DMA com tubulação plástica trocada apenas 4-5 anos antes apresentou perdas elevadas. "It really would have had me — it makes sense to replace that mains again when I was only plastic four or five years ago, but yeah, I still had high losses, I'm watching that there's another issue." Mensagem: idade da rede não é diagnóstico suficiente, e mains replacement isolado não resolve.

PlasticBeyond age

High pressures + reparo lento = perdas crônicas

A combinação que explica boa parte das real losses: pressões altas no sistema somadas à dificuldade de atender ocorrências em tempo hábil. "High pressures across as well as the issue with various DMAs as well as it actually being able to attend to these in a timely fashion has losses across the system." Soluções: pressure management e speed of repair management como alavancas de baixo capex.

PressureSpeed of repair

Pontos-chave

Insights da palestra

Avaliação por DMA antes de qualquer intervenção

Sem quantificar componentes de NRW por DMA, a utility opera no escuro e a meta sistêmica de 30% vira slogan. Top-down + MNF + BABE entregam o diagnóstico mínimo necessário antes de decidir onde investir capex em rede.

Real losses dominam — apparent losses são ruído

Em Barbados, real losses representaram cerca de 70% e commercial + unbilled losses menos de 2% do input volume. Programas focados em apparent losses (combate a fraude, recálculo de tarifa) não vão entregar a meta. O problema é hidráulico.

Top-down e MNF convergem — não é coincidência

Quando dois métodos independentes chegam ao mesmo resultado em DMAs com características diferentes, a confiança no diagnóstico cresce e o argumento técnico se consolida. Convergência é a melhor defesa contra contestação interna.

Speed of repair management e ALD vêm primeiro

As alavancas de menor capex e maior impacto no curto prazo são active leakage detection e speed of repair management. Mains replacement entra depois — em DMAs específicos onde o diagnóstico já apontou infraestrutura comprometida.

GIS e CIS desatualizados sabotam o KPI

Sem GIS e customer information system atualizados, a alocação de consumo entre DMAs fica errada e o balanço de água perde aderência. Atualizar essas bases é pré-requisito de qualquer programa de NRW que queira ser auditável.

Idade da rede não é diagnóstico

DMA com plastic mains de 4-5 anos ainda apresentou perdas altas — sinal de que o problema estava em outro componente (ramais, conexões, pressão). Trocar tubulação principal "por idade" sem diagnóstico pontual é desperdício de capex.

Continuar a sectorização da rede

A recomendação operacional clara: ampliar a sectorização para que cada zona tenha balanço próprio, com leituras consistentes. "Continue with the sectorization across the network." Sem mais DMAs, o método de Dylan não escala — fica preso aos três pilotos.

Avaliação NRW recorrente como baseline

A última recomendação fecha o loop: assessment frequente cria baseline. Sem baseline, é impossível dizer se a intervenção funcionou. "Assessment should just be done more frequently so we have that baseline; once you do a solution, acknowledge it, compare if the solution has been effective."

Filosofia / Conclusão

Diagnóstico antes de capex — sempre

Dylan Clarke-Herbert encerra a palestra com um manifesto pragmático que cabe em qualquer utility do Caribe ou da América Latina: gastar bem em NRW exige diagnosticar bem. A meta sistêmica de 30% só faz sentido se cada DMA tiver seu próprio número, seu próprio plano e sua própria sequência de intervenções. Sem isso, mains replacement vira gasto compulsório que esgota o orçamento sem mover o ponteiro. A jornada começa pela avaliação — e a avaliação começa pela disciplina de leitura, pelo GIS atualizado e pela sectorização ampliada.

Reativo é caro — proativo é eficiente

A frase de Dylan que define o diagnóstico cultural da utility: "It's never a proactive, it's always just a reactive approach." A virada para uma operação proativa exige active leakage detection, speed of repair management e KPIs de DMA monitorados continuamente — não apenas durante a auditoria anual.

ProactiveALD

Frameworks antes de soluções

A conclusão técnica não é um produto ou tecnologia — é um framework. Top-down + BABE + minimum night flow são reproduzíveis em qualquer utility com leitura razoável e equipe técnica. O caso de Barbados é, antes de tudo, uma prova de método transferível para outras ilhas e para o mainland.

FrameworkTransferable

"Assessment should just be done more frequently so we have that baseline; once you do a solution, acknowledge it, compare if the solution has been effective."

— Dylan Clarke-Herbert, sobre a recorrência da avaliação

Para utilities brasileiras a leitura é direta: muitas ainda operam com a mesma combinação que Barbados — meta sistêmica, sectorização parcial, NRW por DMA inexistente, mains replacement reativo. O caminho mostrado por Dylan é replicável e barato: três DMAs piloto, três métodos, dois meses de monitoramento. Saída: estratégia priorizada, capex direcionado e baseline para medir progresso. A pressa de comprar tecnologia sem fazer diagnóstico é o atalho que destrói qualquer programa de NRW.

Resumo gerado a partir da transcrição ao vivo via Nobox Translate com inteligência artificial.