
Stream A2 — Water Loss 2026
Apresenta na Stream A2 — Water Loss Management Strategies, durante o Water Loss 2026 no Rio de Janeiro.
Sobre a palestrante
Engenheira de InfoSox especializada em asset management e modelagem hidráulica na Suez Water France. Lidera o time que constroi e revisa, ciclo a ciclo, os planos de renovacao de redes para municipios franceses operados pela Suez. Sua palestra na Stream A2 do Water Loss 2026 traz uma análise inedita: olhar para tras 20 contratos antigos e perguntar, sem rodeios, se as recomendacoes feitas no passado realmente moveram os indicadores de perdas e quebras. E uma palestra que combina rigor estatistico com honestidade sobre os limites do que se consegue medir hoje.
Atua dentro da operação da Suez na Franca, que opera cerca de 1.000 km de rede em municipios francese, com taxa de renovacao media anual de 0,6% e aproximadamente 70 mil ramais de servico. E uma operação madura, que já gerou historico longo o suficiente para fazer retrospectivas serias.
SuezFrancaEspecializada em InfoSox, asset management e modelagem hidráulica. Constroi os modulos de predicao de falha, criticidade e otimizacao de obra que orientam onde renovar e por que. Seu olhar e ao mesmo tempo técnico e pratico: o estudo so vale o que se implementa em campo.
InfoSoxModelagem hidráulica"O ILI cai onde o asset management e ativo, mas as roadworks municipais embaralham a atribuicao do impacto."
Tese central
A tese de Elsa nasce de uma pergunta dificil: depois de tantos estudos, planos e ciclos de renovacao, eles funcionam? A resposta retrospectiva e cautelosamente afirmativa - sim, o indice linear de perdas cai nos contratos onde o asset management foi efetivamente aplicado. Mas o caminho até essa conclusao revela todas as armadilhas metodologicas que ainda travam o setor.
Tres anos e pouco para julgar uma estratégia de longo prazo. As ondas de renovacao, as obras municipais e o ritmo natural de envelhecimento da rede pedem ciclos de 5, 10 ou 15 anos para conclusoes robustas.
Janela longaQuando a prefeitura programa obras viarias, a operação aproveita para renovar a tubulação sob a rua. O orcamento do plano original some, e fica dificil isolar o que e fruto do asset management e o que e oportunidade municipal.
RoadworksHoje os estudos chegam ao campo como caixa-preta: o municipio entrega input, recebe output e não se sente parte. Quebrar esse efeito e essencial para construir confianca e garantir implementacao real.
Black-box"O estudo não pode ser caixa-preta. O municipio precisa ser parte do processo, não apenas receber o relatório."
Dados do estudo
A retrospectiva foi feita sobre uma amostra de 20 contratos com pelo menos tres anos de historia antes de 2025. Os números que sustentam o estudo dao a dimensão do desafio: e preciso muito tempo, muita rede e muita disciplina de dados para conseguir conclusoes que não caibam num intervalo de confianca preocupante.
"A inconsistencia dos dados e o problema mais persistente. Sem dados continuos, o asset management vira fotografia, não filme."
Metodologia
A Suez estrutura seus estudos de asset management em tres modulos integrados, costurados em uma proposta acionavel para a operação. Sobre essa base, Elsa montou a retrospectiva cruzando KPIs franceses (eficiencia, ILI linear, burst rate) com criterios Onema, em janelas de tres anos antes versus tres anos depois das renovacoes recomendadas.
Calcula a likelihood of failure de cada trecho de tubulação a partir de historico de quebras, idade, material, pressão e contexto operacional. E a base estatistica que diz quais segmentos tem maior probabilidade de falhar nos proximos anos.
Likelihood of failureAvalia o impacto que uma ruptura teria sobre a cidade - clientes afetados, hospitais, escolas, vias estruturantes. Combinado com a predicao, permite priorizar não apenas o que tem maior chance de quebrar, mas o que doi mais quando quebra.
Impacto urbanoOtimiza o plano de renovacao final ponderando riscos, custos e restricoes de campo. E o modulo que costura predicao e criticidade em um cronograma realista para a operação executar - ou tentar executar.
OtimizacaoCasos e descobertas
Da análise emergiram dois padrões provocativos. O primeiro: o ILI linear cai consistentemente nos contratos com asset management ativo, mesmo quando a burst rate não consegue ser conclusiva por problemas de qualidade de dados. O segundo: o efeito municipal das obras viarias absorve grande parte das renovacoes, dificultando a atribuicao de impacto so ao plano original.
Apesar das limitacoes metodologicas, o estudo mostrou queda consistente do indice linear de perdas nos 20 contratos onde o asset management foi efetivamente aplicado. E a evidencia de primeira ordem que sustenta a tese.
ILIResultado positivoA prefeitura programa obras viarias e a operação aproveita para renovar a tubulação sob a rua. O orcamento do plano original some e fica dificil isolar quanto da queda do ILI vem do asset management e quanto vem da rotina urbana.
RoadworksImplementation gapA taxa de quebras não foi conclusiva: a qualidade dos dados de quebras (registros heterogeneos, falhas de notificacao, mudancas de contratos) impediu que o time fechasse uma narrativa estatistica robusta sobre esse indicador especifico.
Burst rateDadosInsights da palestra
A principal licao metodologica: asset management e estratégia de longo prazo. Em janelas de tres anos, e dificil concluir qualquer coisa de forma robusta. A Suez já planeja repetir a análise nos proximos ciclos para acumular evidencia.
Apesar dos limites, o estudo mostrou queda consistente do indice linear de perdas nos 20 contratos onde o asset management foi efetivamente aplicado, mesmo que a taxa de quebras não tenha sido conclusiva pela qualidade dos dados.
Dos cerca de 30 contratos que preenchiam o criterio de idade minima de tres anos, foram usados 20. O restante caiu por inconsistencias (versoes diferentes da metodologia, contratos atrelados a licitacoes, dados incompletos).
Inconsistencia, falta de atualizacao contínua e dificuldade para agregar resultados em alta granularidade aparecem como o problema mais persistente. Elsa propoe um framework escalavel com indicadores na escala correta.
Entre as acoes já em andamento, a Suez esta integrando sensores acusticos e outras soluções operacionais aos estudos de asset management, fechando o ciclo entre planejamento estrategico e detecção em tempo real.
Proximo passo concreto: rastrear de forma proativa a implementacao dos planos no campo, e não apenas auditar resultados anos depois. Isso muda o asset management de uma fotografia ex-post para um instrumento de governanca operacional.
O municipio precisa ser parte do processo, não apenas receber o relatório. Elsa defende abrir o estudo - explicar inputs, mostrar logica, discutir restricoes - para construir confianca e garantir que o plano seja efetivamente implementavel.
Nem agregados demais, nem detalhados demais. A pesquisa propoe um framework escalavel que permita agregar resultados em alta granularidade quando precisa, mas que não se perca nos detalhes do dia a dia operacional.
Filosofia
A filosofia de Elsa Arteaud para o futuro do asset management e clara: parar de tratar o estudo como uma fotografia ex-post e transforma-lo em instrumento de governanca operacional contínua. Isso exige tres movimentos em paralelo - dados continuos, vinculo permanente com o campo e janelas de avaliação mais longas. So assim a estratégia deixa de ser exercicio teorico e passa a moldar de fato as redes do futuro.
Atualizar dados de vazamentos, JS data, sensores acusticos e historico de quebras de forma contínua, e não a cada ciclo de revisao. Isso permite recalibrar predicao e criticidade a cada novo evento e não depender de janelas longas para corrigir o rumo.
Dados continuosO estudo precisa ser implementavel pela equipe de campo, e a equipe de campo precisa entender o estudo. Quebrar a caixa-preta significa abrir os criterios, explicar a logica e ouvir a operação antes de fechar o plano de renovacao.
Field integration"Asset management precisa virar instrumento de governanca operacional, não fotografia ex-post."