George Milis

Keynote — Plenária de Abertura — Water Loss 2026

Dr. George Milis

Keynote sobre como utilities podem separar o hype da realidade ao adotar Inteligência Artificial em operações de água — o que funciona, o que é exagero, e onde IA gera impacto mensurável em redução de perdas.

AI Keynote Hype vs Reality Digital Innovation
Pain First
Abordagem ao usar IA
3
Gerações de ferramentas IA
48 anos
Treinamento do palestrante
LLM + tools
Arquitetura recomendada

Sobre o palestrante

Quem é Dr. George Milis

Keynote Speaker — Plenária de Abertura IWA Water Loss 2026. Engenheiro elétrico, de computação e sistemas, com background em IA e machine learning, atuando há anos em sistemas wireless aplicados a water utilities, baseado em Cyprus (EUROCY). Posiciona-se publicamente como "technical expert, não de domínio" — alguém que constrói as ferramentas, mas precisa do operador para entender onde aplicá-las.

Engenharia + AI/ML aplicada a água

Formação em três áreas convergentes — engenharia elétrica, ciência da computação e systems engineering — com especialização em IA e aprendizado de máquina. Trabalha há anos em sistemas wireless para utilities de água, integrando sensores, modelos hidráulicos e algoritmos. Posição privilegiada para julgar onde IA agrega valor real e onde é apenas marketing.

AI/MLWireless Systems

Voz da honestidade técnica

No keynote "Demystifying AI: Cutting through hype and myths to achieve real impact" George defendeu uma reformulação radical: parar de começar pela tecnologia, começar pelo problema. Critica utilities europeias que pedem "to use AI" antes de definir a dor que pretendem resolver. Posicionamento incomum em um setor saturado de promessas tecnológicas.

Pain FirstHype vs Reality

"If we start with technology — 'we want to use AI' — we are missing the goal."

— Dr George Milis, Keynote Plenária IWA Water Loss 2026

Tese da palestra

Pare de começar pela tecnologia. Comece pela dor.

A indústria de água precisa parar de começar pela tecnologia e começar pelo problema. Utilities chegam pedindo IA quando o problema real é redução de perdas, gerenciamento de pressão, infraestrutura envelhecida. George defende inverter a sequência: identificar a dor, formular o caso de uso, definir métricas mensuráveis — e SÓ ENTÃO escolher a ferramenta, que pode ou não ser IA.

Pain First, Tech After

A sequência correta começa fora da tecnologia. Identificar a dor operacional concreta (perdas, pressão, falhas), formular um caso de uso isolável, definir um outcome mensurável. A ferramenta — regra, ML, LLM, planilha, modelo hidráulico — vem depois, decidida pela natureza do problema, não pela moda.

Use Case FirstAI Strategy

"Smart" não é inteligente

Dispositivos rotulados como "smart" são, em sua maioria, apenas coletores de dados. Inteligência verdadeira exige raciocínio sobre dados novos e capacidade de agir no ambiente. O valor não está no sensor — está no que se faz com a informação que ele entrega. Cuidado com vocabulário inflacionado.

VocabularyReasoning

O foco é o resultado, não a tecnologia

"Combining water domain with whatever technology, always to make the world a better place to live for people." O ponto não é a tecnologia em si — é o resultado para o operador, o cliente final e o sistema hídrico. IA é meio, não fim. Decisão técnica precede sempre a decisão de tool.

OutcomeTool Agnostic

"It doesn't matter if you call it AI or not. The important thing is focusing on the problem."

— Dr George Milis, sobre como decidir se IA é a ferramenta certa

Dados apresentados

Os números que ancoraram a keynote

3
Gerações de IA sob o mesmo guarda-chuva. (1) Classical / rule-based — expertise codificada em regras explícitas. (2) Machine Learning — modelo aprende relações dos dados, de uma reta y=ax+b a redes neurais. (3) Modern / LLMs — codificação estatística de como humanos comunicam. Cada geração tem domínio próprio.
48 anos
Tempo de "treinamento" do palestrante (humano) vs 6 meses de modelo ML. A analogia foi pessoal: um humano levou décadas para integrar contexto, intuição e accountability. O modelo ML tem uma fração disso. LLMs aprendem como humanos comunicam — não o que está acontecendo no sistema em tempo real.
LLM + tools
Arquitetura segura recomendada. LLM como camada de interação (entender intenção do operador) enquanto ferramentas que decidem — modelos hidráulicos, leak detectors, otimizadores — continuam sendo os clássicos verificados. "The LLM decides what tools to use and orchestrates them."

"We should not trust LLMs for critical decisions because they don't have knowledge of what's happening in real time and they're not accountable."

— Dr George Milis, sobre o risco de usar LLMs como decisores

Abordagem / Metodologia

Três famílias de ferramentas, três usos distintos

George traçou três famílias de ferramentas sob o "guarda-chuva da IA". Cada uma tem domínio próprio; misturá-las sem critério é o erro mais comum em projetos de utilities. A metodologia é simples: a natureza do problema escolhe a família, não o oposto.

1. Classical / rule-based

"If pressure < threshold then activate" — a expertise do operador codificada em regras explícitas. Funciona em situações conhecidas, falha quando aparece algo não-modelado. Domínio: quando a expertise é codificável e o sistema é tratável. Cálculo de NRW, night flow, projeção de pressões — tudo isso é matemática hidráulica clássica, não precisa de IA.

RulesDeterminístico

2. Machine Learning

Alimentar o sistema com dados e deixar um modelo aprender as relações — de uma reta y=ax+b a redes neurais com milhões de parâmetros. Domínio: quando o sistema é complexo demais para regras explícitas mas há dados em volume suficiente. Sensor placement ótimo, classificação de signatures de falha, otimização em alta dimensão.

MLData-Driven

3. Modern / LLMs

Codificação estatística de como humanos comunicam — "language is just a codification of our thoughts". Não conhecem o sistema em tempo real, não são accountable. Domínio: camada de interação e orquestração — entender intenção do operador, dialogar, escolher a tool certa entre os clássicos verificados.

LLMsOrchestration
1
Pain
Identificar o problema operacional real
2
Use Case
Formular caso concreto de aplicação
3
Métrica
Definir outcome mensurável
4
Tool
Só então escolher rule, ML ou LLM

Casos / Aplicações

Onde aplicar cada família — exemplos concretos

George ilustrou a decisão regra-vs-ML com casos clássicos do setor de água. A escolha não é técnica abstrata — é prática, ditada pela complexidade do sistema e pela disponibilidade de dados.

Sensor placement (regra vs ML)

Abordagem rule-based: "se a variância de pressão na área supera um limiar, coloque um sensor". Funciona em situações conhecidas, falha quando aparece algo não-modelado. Abordagem ML: alimentar o sistema com diversas combinações de vazamentos, posições candidatas e dados de operação, deixar o modelo aprender as relações e devolver as posições ótimas. ML vence quando o sistema é complexo demais para regras explícitas — desde que haja dados em volume.

Sensor PlacementML vs Rules

NRW: matemática clássica, não IA

Cálculo de água não faturada, estimativas de night flow, projeção de pressões e vazões em pontos não-medidos — tudo isso é matemática hidráulica clássica. Aplicar IA aqui é ruído. Usar IA onde realmente vale: detecção de signatures de vazamento, classificação de falhas, otimização em alta dimensão. Decisão técnica precede sempre escolha de tool.

NRWHydraulic Math

LLM como orquestrador (não decisor)

A arquitetura recomendada: LLM entende a intenção do operador via diálogo natural, mas decisões são tomadas pelas ferramentas tradicionais — modelos hidráulicos, detectores de vazamento, otimizadores. "The LLM decides what tools to use and orchestrates them." Combina a usabilidade conversacional com a confiabilidade dos clássicos. Para utilities querendo entrar agora em IA, é a porta de entrada com menor risco.

LLM OrchestrationSafe Architecture

Pontos-chave

Insights da keynote

Comece pela dor, não pela tecnologia

A maior ineficiência das utilities europeias hoje, segundo Milis, é querer IA antes de definir o problema. Antes de qualquer projeto, isolar o caso de uso, métricas mensuráveis e contexto operacional — depois decidir se IA agrega ou se basta cálculo determinístico.

"Smart" ≠ inteligente

Dispositivos de última geração rotulados como "smart" são, em sua maioria, apenas coletores de dados. Inteligência verdadeira exige raciocínio sobre dados novos e capacidade de agir no ambiente. Sem isso, o valor não está no sensor — está no que se faz com a informação que ele entrega.

Regras vs ML: escolha pelo problema, não pela moda

Quando a expertise é codificável e o sistema é tratável, regras explícitas são melhores. Quando o sistema é complexo demais para escrever regras mas há dados em volume, ML é a escolha. A decisão técnica deve sempre vir antes da escolha de tool — nunca o contrário.

Cálculo de NRW não precisa de IA

Cálculo de água não faturada, estimativas de night flow, projeção de pressões e vazões em pontos não-medidos — tudo isso é matemática hidráulica clássica. Aplicar IA aqui é ruído. Usar IA onde realmente vale: detecção de signatures de vazamento, classificação de falhas, otimização em alta dimensão.

LLMs não são accountable

LLMs aprendem como humanos comunicam, não o que acontece em tempo real no sistema. Não devem ser usados como decisores em problemas críticos como segurança da água potável ou posicionamento de sensores. A camada certa é orquestração: LLM entende a intenção, ferramenta tradicional decide.

O foco é o resultado, não a tecnologia

Frase de encerramento: "combining water domain with whatever technology, always to make the world a better place to live for people". O ponto não é a tecnologia em si — é o resultado para o operador, o cliente final e o sistema hídrico. IA é meio, não fim.

O humano de 48 anos vs o ML de 6 meses

A analogia pessoal: um humano levou décadas para integrar contexto, intuição e accountability — capacidades que um modelo ML treinado em meses não tem. Não significa que ML seja inferior — significa que cada um cabe em uso diferente, e que humanos continuam sendo o último responsável pelo sistema.

Pain → Use Case → Métrica → Tool

A sequência operacional. Inverter qualquer etapa quebra o projeto. Utilities que pulam direto para "tool" produzem dashboards bonitos sem outcome. Utilities que param na "métrica" sem definir tool não escalam. As quatro etapas formam um pipeline indispensável.

Filosofia / Conclusão

"Combining water domain with whatever technology, always to make the world a better place."

A síntese de Milis é honesta e desconfortável para quem vende tecnologia: o setor de água não precisa de mais IA — precisa de mais clareza sobre que problema está resolvendo. A engenharia funciona. As ferramentas existem. O gargalo é institucional: utilities que adotam tecnologia antes de definir o problema produzem aparência de modernização sem outcome. A filosofia é a inversão: tool é consequência, nunca premissa.

Honestidade técnica como diferenciador

Em um setor onde "AI-powered" virou commodity de marketing, posicionar-se como técnico que aponta os limites é raro e valioso. Milis recusa o role de profeta da IA — assume o de operador que escolhe a tool certa para o problema certo. É a postura que utilities sérias precisam adotar antes de comprar mais sensores.

Technical HonestyAnti-Hype

Tecnologia como meio, outcome como fim

"To make the world a better place to live for people." O encerramento não é decoração — é a métrica final. Toda decisão de tool, arquitetura, sensor, modelo hidráulico precisa retornar a essa pergunta: melhora a vida do operador, do cliente final, do sistema hídrico? Se não, é commodity técnica disfarçada de progresso.

Outcome-DrivenPeople First

"Combining water domain with whatever technology, always to make the world a better place to live for people."

— Dr George Milis, encerramento da keynote IWA Water Loss 2026
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