
Chair Stream B1 · Workshop 3 — Water Loss 2026
Especialista argentino em saneamento. Chair da Stream B1 — Network Zoning, DMAs e Pressure Management — e panelist do Workshop 3 sobre Perdas e Segurança Hídrica no IWA Water Loss 2026, no Rio de Janeiro.
Sobre o palestrante
Ignacio Maria Peña é uma das vozes argentinas mais ativas em gestão de perdas e hidráulica orientada por pressão. No IWA Water Loss 2026 no Rio de Janeiro ele carrega um papel institucional duplo no Dia 1: pela manhã preside a Stream B1 — Network Zoning, DMAs e Pressure Management, a sessão técnica que define a metodologia-base de qualquer programa moderno de NRW; à tarde ocupa cadeira no painel do Workshop 3 — Perdas e Segurança Hídrica, presidido por Mara Ramos. Carregar os dois chapéus no mesmo dia sinaliza o que o IWA Water Loss Specialist Group enxerga em Peña: uma ponte entre a conversa técnica rigorosa de como as redes devem ser fisicamente segmentadas e a conversa política-estratégica mais ampla de por que fazer isso bem importa para segurança hídrica na América Latina.
Na manhã do Dia 1, Peña preside a stream técnica mais fundamental do programa do Water Loss: a segmentação da rede de distribuição em District Metered Áreas, o desenho de zonas de pressão e a modulação da pressão como primeira alavanca de ataque às perdas físicas. Quem preside a Stream B1 dá o tom técnico da semana inteira — porque pressure management é a precondição de tudo o mais (logging acústico, análise AZP, renovação de infraestrutura, modelagem de runtime de vazamento).
ChairDMAsPressureÀ tarde, Peña ocupa cadeira no painel do Workshop 3, presidido por Mara Ramos. O formato aqui é deliberadamente estratégico, não puramente técnico: combina especialistas em perdas com enquadramentos de segurança hídrica — secas, estresse climático, crescimento de demanda, equidade de acesso. Ao convidar Peña para esse painel, o WLSG sinaliza que ele não é só um técnico de válvulas e DMAs, mas alguém capaz de traduzir o trabalho técnico de NRW para a linguagem de risco de board, prioridades de regulador e política de utilities latino-americanas.
Workshop 3Mara RamosWater SecurityPressure management é a porta de entrada. Você não pode falar honestamente em redução de vazamento, renovação de ativos ou segurança hídrica na América Latina sem primeiro perguntar o que a rede faz às três da manhã.
Tese central
A tese que Peña leva para suas duas sessões é operacional, não ideológica: em utilities latino-americanas, a intervenção isolada mais custo-efetiva contra perdas de água não é um novo logger acústico, não é uma nova plataforma de IA e não é um novo parque de medidores — é zoneamento rigoroso de rede, District Metered Áreas bem desenhados e disciplina de pressure management. Sem essa base, todo stack tecnológico posterior roda em cima de ruído. Com ela, até investimentos modestos em detecção e medição compõem reduções mensuráveis. Essa ordenação — DMAs e pressão primeiro, camadas de tecnologia depois — é a ponte conceitual entre seu papel de chair na Stream B1 e sua cadeira no painel do Workshop 3.
Sem District Metered Area não existe medição honesta de vazamento. Componentes de perda real, análise de minimum-night-flow e priorização de intervenção colapsam em anedota quando a rede é um balão indiferenciado. A stream de Peña define o DMA como a menor unidade em que a utility consegue se cobrar pelo que entra, sai e vaza.
DMAA modulação de pressão — usando PRVs, análise AZP e set-points modulados no tempo — é a intervenção isolada com maior ROI imediato sobre perdas físicas. Pressão média menor significa crescimento de runtime de vazamento mais lento, menos novos rompimentos e perdas de fundo mais baixas. Peña enquadra como a alavanca que toda utility consegue puxar antes de debater se compra o próximo stack de sensores.
PRVAZPNo Workshop 3 a conversa é segurança hídrica — secas, clima, equidade. A contribuição de Peña é ancorar: uma região que não controla onde sua água vaza não pode honestamente reivindicar resiliência. Pressure management e DMAs são a precondição que torna segurança hídrica uma promessa crível em vez de slogan.
ResiliênciaOs países que vão ganhar o debate de segurança hídrica da próxima década serão os que hoje aceitam fazer o trabalho sem glamour de zoneamento, comissionamento de válvula e logging de pressão.
Dados apresentados
O material de transcrição diretamente vinculado às intervenções de Peña no Water Loss 2026 é limitado no momento desta página — a maior parte da contribuição dele se dá nos formatos de chair e painel, não em uma keynote única. O que sustenta a autoridade dele, em vez disso, é o contexto estrutural argentino e do Cone Sul: taxas altas de perdas, infraestrutura envelhecida em utilities metropolitanas, programas de pressure management em crescimento em Buenos Aires e concessionárias provinciais, e uma conversa regional sobre NRW que historicamente se ancora na metodologia da era FAVAD. Os números abaixo enquadram por que um chair da Stream B1 com background argentino tem peso neste congresso.
O caminho honesto para reduzir NRW na América Latina não é exótico. É zonear, modular, medir — e só então sobrepor tecnologia em uma rede que já se conhece.
Abordagem técnica
A metodologia que Peña curadora como chair da Stream B1 se assenta em três pilares operacionais que juntos formam o playbook de qualquer programa moderno de pressure management: desenho rigoroso de DMA, controle de pressão modulado no tempo com disciplina de AZP, e análise de minimum-night-flow que fecha o loop de feedback. Cada pilar é um corpo de prática com sua própria caixa de ferramentas, mas só entregam redução composta de NRW quando sequenciados e integrados. Esse sequenciamento é, ele mesmo, a posição editorial do chair.
Bom desenho de DMA não é só desenhar polígonos no GIS. Exige modelagem hidráulica, comissionamento de válvula, verificação de fronteira e disposição para romper hábitos operacionais legados. A Stream B1 espera papers que mostrem a diferença entre um DMA no papel e um DMA que efetivamente fecha hidraulicamente — incluindo os modos de falha quando não fecha.
GISHidráulicaUma vez selado o DMA, a modulação de pressão com PRVs e a disciplina de análise AZP (Average Zone Pressure) é o que converte a estrutura em redução de NRW. Set-points modulados no tempo baixam a pressão média em janelas off-peak, freando o crescimento de vazamento sem comprometer serviço. O AZP vira o número único que permite à utility argumentar, de forma defensável, que mudança ocorreu.
PRVAZPO MNF — minimum night flow — é o diagnóstico que diz à utility se a intervenção de DMA-e-pressão funcionou. Expõe vazamento de fundo, captura novos rompimentos em horas e dá ao time de operação um dashboard diário. Sem disciplina de MNF, o pressure management deriva; com ela, o loop entre intervenção e medição fecha semanalmente.
MNFOperationsCasos e aplicações
Os casos relevantes para a contribuição de Peña não se concentram em uma utility única — distribuem-se entre os operadores latino-americanos que aparecem nos papers da Stream B1 e nas discussões de painel do Workshop 3. As operações metropolitanas de Buenos Aires, concessionárias argentinas provinciais e os programas mais amplos de NRW do Cone Sul formam a biblioteca implícita de casos contra a qual a curadoria de Peña é medida. Abaixo, três lentes para pensar a paisagem de casos que cerca suas sessões.
A Grande Buenos Aires concentra uma carga enorme de demanda sobre uma infraestrutura que, em muitos distritos, antecede a prática moderna de pressure management. É nesse contexto que cresceram programas de DMA e implantações de PRV, e onde a disciplina de análise AZP vira precondição para qualquer compromisso politicamente crível de redução de NRW.
Buenos AiresPRVFora de Buenos Aires, concessionárias provinciais enfrentam outro problema: bases de ativos menores, equipes de engenharia menores, mas a mesma necessidade de defender programas de NRW perante reguladores e definidores de tarifa. A stream de Peña cria espaço para essas utilities trazerem papers em que a metodologia está correta mesmo quando o orçamento é restrito.
ProvincialRegulaçãoO enquadramento do Workshop 3 — segurança hídrica — é onde a lente de casos de Peña se amplia para além da Argentina. Utilities sob estresse de seca no Chile, no Nordeste brasileiro e em cidades andinas convergem na mesma verdade operacional: uma utility que ainda não zonea e modula não pode honestamente reivindicar resiliência. O trabalho de caso, aqui, é conectar maturidade de NRW à credibilidade de risco climático.
ClimateLATAMPontos-chave
Quem preside Network Zoning, DMAs e Pressure Management define o que é 'sério' para o resto do congresso. A escolha de Peña sinaliza que o WLSG confia a ele a régua técnica fundadora sobre a qual as outras streams se constroem.
O painel Perdas e Segurança Hídrica, presidido por Mara Ramos, traz reguladores, doadores e atores políticos que não aparecem em uma stream puramente técnica. Peña nesse painel significa que o argumento técnico entra em espaços de política — onde decisões sobre orçamento e tarifa de fato acontecem.
A ordenação implícita que Peña empurra é uma que muitos vendors resistem: zoneie a rede e module a pressão antes de adicionar a próxima camada de loggers acústicos, plataformas de IA ou medidores inteligentes. A metodologia determina o valor da tecnologia, não o contrário.
A análise de Average Zone Pressure importa não só porque correlaciona com vazamento, mas porque é auditável. Um regulador, um board, um financiador externo — todos conseguem ler variações de AZP e a resposta correspondente de NRW. É o número único que torna pressure management defensável.
A analítica de Minimum Night Flow é o que separa um piloto pontual de um programa sustentado. Utilities que transformam MNF em rotina diária — leitura às 03h, revisão às 09h — são as que mantêm reduções. A stream de Peña premia papers que documentam esse hábito operacional, não só a intervenção original.
Argentina, Brasil, Chile e Colômbia acumularam, nos últimos quinze anos, experiência prática em desenho de DMA e pressure management sob orçamento apertado. O perfil de Peña reenquadra a região como exportadora de metodologia em vez de importadora — o que é parte de por que um engenheiro baseado em Buenos Aires preside a stream fundadora de um congresso IWA Water Loss.
O risco de um painel de segurança hídrica é derivar para abstração climática. O valor de Peña no Workshop 3 é manter a conversa amarrada a infraestrutura física: válvulas, set-points, fronteiras de DMA. Sem essa âncora, segurança hídrica vira vocabulário; com ela, vira rubrica orçamentária.
Peña não precisa de slot de keynote para deixar marca. O fato de o IWA WLSG colocá-lo como chair da stream técnica fundadora e como panelist do workshop estratégico no mesmo dia já enuncia a posição: metodologia de NRW e política de segurança hídrica são um único argumento contínuo, e alguém precisa segurar as duas pontas.
Filosofia / Conclusão
Se há uma filosofia única que organiza o papel duplo de Peña no Water Loss 2026, é a de que segurança hídrica na América Latina se ganha ou se perde no canto sem glamour do trabalho de engenharia — a fronteira de DMA, o set-point de PRV, o relatório de AZP lido às 9h de uma quarta-feira. Tecnologia glamourosa virá depois; slogans políticos vão e vêm. Mas as utilities que construírem o músculo de zonear, modular e medir são as que, daqui a quinze anos, vão conseguir responder honestamente à pergunta que todo regulador e todo cidadão vai fazer: onde, de fato, vai a nossa água? Presidir a Stream B1 não é papel cerimonial. É a forma institucional de dizer: este é o trabalho, e ele precisa ser feito bem.
A linha curatorial de Peña privilegia disciplina sobre invenção. O paper empolgante não é o que tem o sensor mais novo, mas aquele em que uma utility descreve como fechou de fato seus DMAs, comissionou suas válvulas e segurou seu AZP ao longo de um ano operacional inteiro. Esse é o hábito institucional que a Stream B1 deve recompensar.
DisciplinaA razão de Peña também ocupar cadeira no Workshop 3 é que a conversa sobre NRW só importa se for ouvida fora da sala de engenharia. Traduzir trabalho de DMA para a linguagem de segurança hídrica — em termos sobre os quais um ministro da fazenda, um regulador ou um banco de desenvolvimento consigam agir — é, em si, um ofício. O papel duplo é o argumento encarnado de que uma pessoa precisa transitar com fluência nos dois registros.
TraduçãoOnde, de fato, vai a nossa água? Até que uma utility consiga responder isso DMA por DMA, hora por hora, qualquer outra promessa que ela faça sobre segurança hídrica é hipótese.