Márcio Henrique Vieira

Stream C2 — Water Loss 2026

Marcio Vieira

Apresenta na Stream C2 — Customer Metering and Management, durante o Water Loss 2026 no Rio de Janeiro.

Metering Stream C
~40%
Perdas hídricas no Brasil
195%
Ganho com nova abordagem
🇧🇷
Hidrometria — perdas
15:00
Stream B — BRT

Sobre o palestrante

Quem é Márcio Vieira

Márcio Henrique Vieira é engenheiro brasileiro com 19 anos focados em perdas e hidrometria na Sabesp. No Water Loss 2026, apresentou na sessão B2 um trabalho construído junto com Cícero — descrito por Márcio como "a grande mente por trás dessa visão integrada". A tese central: parar de tratar hidrômetro como produto pronto que chega da fábrica e cuidar dele como um ciclo virtuoso de medição, planejamento dinâmico e parceria com fornecedores.

19 anos na Sabesp

Quase duas décadas dedicadas exclusivamente a perdas e hidrometria em uma das maiores utilities da América Latina. Essa profundidade operacional aparece nas referências precisas a casos de fraude, autópsias de medidores e mudanças de cultura interna.

Sabesp19 anos

Visão integrada com Cícero

Márcio creditou abertamente a Cícero a "grande mente por trás dessa visão integrada". Não é trabalho solo — é construção colaborativa que tirou a Sabesp do modelo de produto pronto e levou ao ciclo virtuoso de medição.

CíceroColetivo

"Não dá para tratar o hidrômetro como um produto pronto que chega da fábrica."

— Márcio Henrique Vieira, Sabesp

Tese central

Ciclo integrado de hidrometria vs. mentalidade de produto

Produto pronto é ilusão

Tratar hidrômetro como produto pronto que chega da fábrica gera planejamento linear, troca cega e perda permanente. É o modelo antigo da Sabesp — substituído por ciclo virtuoso que exige investimento contínuo.

Anti-produto

Ciclo virtuoso integrado

A nova abordagem demanda investimento contínuo, parceria com suppliers para melhoria do produto, padronização de processos e troca de informação. O ganho dessa visão integrada chegou a 195% em produtividade comparada ao modelo antigo.

Ciclo+195%

Tecnologia certa para problema certo

Márcio alertou para o risco de cair na "última moda" tecnológica — ultrassônico, eletromagnético — sem considerar o problema. "Cada tecnologia para o problema certo" — não para a moda.

Tech-fit

"Não podemos cair no flop, como aconteceu com o metaverso. Cada tecnologia para o problema certo."

— Márcio Henrique Vieira sobre a importância do diagnóstico técnico

Dados de impacto

19 anos de experiência, números reais de NRW

Márcio cita os ~40% de perdas hídricas do Brasil como motor da urgência. Mas alerta: repetir o número não basta — precisa virar plano de medição, com hidrômetros calibrados, troca dinâmica e auditoria contínua. Os números do ciclo integrado mostram o tamanho do ganho potencial.

~40%
Perdas hídricas no Brasil — número repetido em fóruns mas raramente enfrentado com método. Para Márcio, é o motor da urgência: precisa virar plano de medição, não slogan.
+195%
Ganho de produtividade com a transição para o ciclo integrado de hidrometria — investimento contínuo, parceria com fornecedores, padronização de processos e troca de informação.
−18%
Queda no consumo SP durante a crise hídrica de 2013-2016. Migração massiva de clientes para a faixa mínima de tarifa. "Reduzimos consumo, sim — mas também começamos a ver consumo a 21°C de forma diferenciada."
−36% / +95%
Resultado do planejamento dinâmico — 36% de redução na quantidade de hidrômetros trocados e ganho real de 95% em recuperação de receita. Trocar menos, recuperar mais.

"40% de perdas é número que precisa de método. Repetir não basta — precisa virar plano de medição."

— Márcio Henrique Vieira, sobre a urgência do NRW brasileiro

Metodologia integrada

Ciclo de hidrometria — procurement, install, read, maintain, replace

Procurement com supplier

Reuniões técnicas com fabricantes — ideia atribuída a Cícero — geraram inovações como hidrômetro com anti-hidrômetro superior. Conversas técnicas, não comerciais, que pavimentaram melhoria de produto desde a especificação.

SupplierTech-meet

Install + Read padronizados

Padronização de processos de instalação e leitura é parte do ciclo. Sem isso, a entrada de dados no sistema fica heterogênea e o planejamento dinâmico não consegue atuar com precisão.

Padrão

Maintain via autópsia

Márcio defendeu "autópsias" de medidores em campo — análise pós-uso para entender modos de falha e fraudes. O caso de Guarulhos mostrou que um único município concentrava 1/6 das fraudes da região metropolitana.

AutópsiaGuarulhos

Replace dinâmico, não linear

Antes, a Sabesp tinha planejamento linear de troca — uma cota anual fixa. Márcio descreveu a transição para um modelo dinâmico: metas variáveis, troca por faixa de consumo e tipo de cliente, integração com pesquisa em vez de troca cega.

Dinâmico−36%

Cultura como pré-requisito

A migração de planejamento linear para dinâmico forçou mudança cultural: equipes precisaram parar de buscar metas de quantidade e passar a perseguir resultado real (receita recuperada, perda evitada). Virada tão técnica quanto política.

Cultura

Casos práticos

Três casos de fraude e falha que Márcio apresentou

Folha de palmeira

Uma folha de palmeira gerou ruído acústico que mascarou o sinal do medidor — debate fraude-vs-falha resolvido só com autópsia em campo. Caso clássico de interferência rural no Brasil que catálogos de fabricante não preveem.

AcústicoRural

Fraude com medidor de mercado

Fraude executada com hidrômetro "de mercado" certificado. Casos como esse provam que certificação não basta — precisa de auditoria contínua e cruzamento com perfil de consumo do cliente.

FraudeCert.

Condutividade EM

Medidores eletromagnéticos têm problemas de baixa condutividade em águas específicas. Outro caso onde "tecnologia da moda" falha sem diagnóstico do problema real — cada tecnologia para seu cenário.

EMCond.

Insights da palestra

Pontos-chave

40% de perdas: número que precisa de método

Márcio cita os ~40% de perdas hídricas do Brasil como motor da urgência. Mas alerta: repetir o número não basta — precisa virar plano de medição, com hidrômetros calibrados, troca dinâmica e auditoria contínua.

Hidrômetro como autópsia, não só inspeção

Márcio defendeu "autópsias" de medidores em campo — análise pós-uso para entender modos de falha e fraudes. O caso de Guarulhos mostrou que um único município concentrava 1/6 das fraudes da região metropolitana.

Parceria com fornecedor melhora produto

Encontros técnicos com suppliers — ideia atribuída a Cícero — geraram inovações como hidrômetro com anti-hidrômetro superior. Foram conversas técnicas, não comerciais, que pavimentaram melhoria de produto.

Cuidado com modas: metaverso da hidrometria

Márcio comparou explicitamente: "Não podemos cair no flop, como aconteceu com o metaverso." Tecnologia sem problema real é desperdício. A pergunta certa é: que falha estou tentando corrigir?

Cultura interna muda com método

A migração de planejamento linear para dinâmico forçou uma mudança cultural: equipes precisaram parar de buscar metas de quantidade e passar a perseguir resultado real (receita recuperada, perda evitada). Essa virada é tão técnica quanto política.

Hidrometria + dados alimentam IA

Márcio terminou ligando o ciclo de medição a modelos de detecção de fraude — alimentar algoritmos com leituras consistentes para identificar irregularidades antes de virarem perda permanente. A próxima fronteira é usar esses dados em IA preditiva.

Crise 2013-2016 como ponto de virada

A crise hídrica de São Paulo trouxe queda de 18% no consumo e migração massiva para a faixa mínima de tarifa. A lição: mudança climática e crises forçam revisão constante das premissas de medição.

Planejamento dinâmico vence quantidade

Resultado da transição: 36% menos hidrômetros trocados e 95% mais receita recuperada. Trocar menos, recuperar mais. É o oposto do reflexo intuitivo — e o que mostra o poder do diagnóstico antes da ação.

Filosofia técnica

Ciclo virtuoso de hidrometria como cultura, não como projeto

Para Márcio, hidrometria deixa de ser produto que chega da fábrica e vira ciclo cultural — investimento contínuo, parceria com supplier, padronização, autópsia, planejamento dinâmico. É a virada de uma indústria que historicamente confundiu compra de equipamento com gestão de perdas. O Brasil tem 40% para reduzir; o método é o que define se isso vira plano ou contínua slogan.

Investimento contínuo

Hidrometria não é commodity. Exige investimento contínuo em pessoas, processo e parceria técnica com fabricantes. Sem isso, qualquer tecnologia vira produto pronto que se obsoleta sozinho.

ContínuoPessoas

Diagnóstico antes de tecnologia

"Que falha estou tentando corrigir?" — pergunta que Márcio repete antes de qualquer escolha de equipamento. Folha de palmeira, fraude com medidor de mercado, condutividade EM: três casos que ensinam o valor do diagnóstico.

DiagnósticoPergunta

"Cada tecnologia para o problema certo — não para a moda."

— Márcio Henrique Vieira, filosofia técnica do ciclo integrado
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