
Stream B10 - Water Loss 2026 - 29 abr
Apresenta na Stream B10 (Capacity building) o paper sobre processo de qualificacao e certificacao de pessoal envolvido em deteccao de vazamentos - perspectiva italiana e europeia, complementando o paper brasileiro de Debora Soares.
Sobre o palestrante
Marco Fantozzi e veterano italiano da industria de NRW e nome historico do IWA Water Loss Specialist Group (WLSG). Apresenta na Stream B10 do Water Loss 2026 (29/04, tarde) o paper sobre processo de qualificacao e certificacao de pessoal engajado em atividades de deteccao de vazamentos. A apresentacao complementa diretamente o paper brasileiro de Debora Soares (de manha) - ambos sobre certificacao, mas Fantozzi traz a perspectiva europeia, com reflexao mais ampla sobre como WLSG pode contribuir para padronizacao internacional.
Fantozzi e nome historico do WLSG - acompanha o specialist group desde sua origem ha 25 anos. A sua autoridade nao vem de um paper isolado, vem da trajetoria continua que da peso ao argumento sobre necessidade de padronizacao internacional.
WLSGO paper se posiciona em dialogo com Debora Soares. Brasil e Italia tem programas de certificacao paralelos - reconhecidos no mercado domestico, mas sem reconhecimento mutuo. Fantozzi defende caminho para que certificacao em um pais valha em outro.
EU vs BR"Certification is local - the problem of leaks is global. We need to bridge that gap."
Tese central
A tese central que Fantozzi articula e que cada pais ja tem seu programa de certificacao - mas eles nao se conversam. Profissional certificado pela ABENDI no Brasil nao tem reconhecimento automatico na Italia, e vice-versa. Para industria global de NRW, isso e barreira - utility multinacional precisa recertificar a equipe a cada pais. Fantozzi propoe que o WLSG seja foro para construir reconhecimento mutuo - um framework comum sem destruir as autonomias nacionais.
Brasil tem ABENDI, Italia tem seu equivalente, Reino Unido tem outro. Cada um com sua estrutura de niveis, exames e procedimentos. Bom em si - reflete particularidades locais. Ruim quando precisa atravessar fronteiras.
NationalO WLSG e foro internacional ja existente, com membros de mais de 80 paises. Fantozzi argumenta que ele e candidato natural para mediar reconhecimento mutuo - nao impondo padrao, mas estabelecendo equivalencias entre programas existentes.
WLSGA proposta concreta: framework que mapeie equivalencias entre niveis (inspetor BR = inspetor IT?) e procedimentos. Nao precisa ser certificacao nova - apenas tabela de conversao reconhecida pelo WLSG.
Framework"We do not need a global certification - we need recognition between local certifications."
Dados e numeros
Os numeros que Fantozzi cita posicionam o argumento: WLSG tem membros de mais de 80 paises, e o mercado europeu sozinho tem dezenas de programas nacionais de certificacao paralelos. A escala torna o caso para reconhecimento mutuo: sem ele, fragmentacao perpetua e custo desnecessario para utilities multinacionais.
"We have 80 countries in the same room - we can build the framework here."
Metodologia
A metodologia que Fantozzi propoe para construir o framework tem tres movimentos: mapear estrutura dos programas nacionais existentes (niveis, horas, exames), construir tabela de equivalencias revisada por comite internacional e estabelecer governanca de manutencao (porque programas evoluem). O WLSG seria o foro do trabalho.
Primeira fase: documentar estrutura de cada programa nacional - niveis, horas de treinamento, conteudo do exame, procedimentos avaliados. Sem documentacao comparada, nenhuma equivalencia e possivel. Trabalho de inventario international.
MappingSobre o mapeamento, comite tecnico internacional propoe equivalencias - inspetor BR = inspetor IT, com gap de X horas de treinamento adicional. Tabela publica, transparente, baseada em criterio tecnico.
EquivalenceProgramas evoluem - tecnologia muda, currículo se atualiza. O framework precisa ter governanca para manter a tabela atualizada, com revisao periodica. WLSG hospedaria essa governanca, com representantes dos programas nacionais.
GovernanceCasos e descobertas
O caso ilustrativo que Fantozzi traz e o da utility multinacional - empresa que opera em multiplos paises (Suez, Veolia, Aegea expandida) e precisa qualificar equipe em cada jurisdicao. Sem reconhecimento mutuo, paga certificacao paralela em cada pais. Custo desnecessario que poderia ser revertido em melhoria operacional.
Operadoras como Suez e Veolia tem operacao em dezenas de paises. Cada equipe nacional precisa estar certificada localmente. O custo agregado de certificar equipe global em cada pais e enorme - e parcialmente redundante.
MultinationalProfissional certificado no Brasil que se muda para Italia hoje precisa fazer toda a certificacao de novo. Com framework de equivalencias, faria apenas o "gap" - poupando tempo e mantendo o profissional na profissao.
MobilityO Water Loss reune nominalmente representantes de 80+ paises. Fantozzi observa que o foro proprio para iniciar o trabalho de equivalencias esta em sala. Aproveitar o momento e nao deixar a oportunidade passar.
ForumInsights da palestra
Os insights que Fantozzi deixa: certificacao local e necessaria, mas nao suficiente em mercado globalizado; reconhecimento mutuo evita duplicacao de custo; WLSG e foro natural para mediar; e Brasil e Italia juntos no mesmo painel sao prova de que a conversa e possivel. Para profissional individual, mobilidade internacional torna-se viavel.
Fantozzi enfatiza: framework internacional nao substitui certificacao local - a complementa. Reconhece o que cada programa nacional ja faz bem, adiciona camada de equivalencias para mobilidade.
Operadora multinacional paga muito hoje em recertificacao paralela. Esse custo poderia ser revertido em melhoria operacional. O argumento financeiro pesa nas decisoes de board.
O WLSG nao e ator partidario - e foro internacional reconhecido por mais de 25 anos. Tem credibilidade para hospedar o trabalho de equivalencias sem ser visto como intromissao em soberania nacional.
Que Brasil (Debora) e Italia (Fantozzi) apresentem no mesmo Stream B10 e simbolico. Ambos paises tem programas maduros, ambos podem servir de base para o framework de equivalencias. Comecar pelo par e mais facil.
Para o profissional individual, framework internacional viabiliza carreira global. Engenheiro brasileiro certificado pode trabalhar na Europa sem refazer tudo - fluxo de talento liberado.
Satellite, IA, NB-IoT - tecnologias novas demandam atualizacao da certificacao. Framework com governanca compartilhada acelera essa atualizacao - cada pais nao reinventa sozinho.
Fantozzi nao propoe estudo academico de cinco anos. Propoe trabalho pratico - sentar com representantes nacionais, mapear programas, construir tabela. Resultado em meses, nao decadas.
A licao mais sofisticada: padronizar nao e impor um padrao novo - e mapear equivalencias entre padroes existentes. Respeita autonomia, viabiliza mobilidade. Sabedoria diplomatica europeia aplicada a engenharia.
Filosofia
A filosofia que Fantozzi defende - construida em decadas de WLSG - e que padronizacao internacional pode ser feita sem destruir autonomia nacional. Mapear equivalencias respeita o que cada pais ja construiu, ao mesmo tempo que viabiliza mobilidade do profissional e operacao da utility multinacional. E filosofia diplomatica europeia aplicada a engenharia - reconhecer diferenca, construir ponte.
Cada programa nacional reflete particularidades locais (legislacao, clima, infraestrutura tipica). Em vez de eliminar essas diferencas em favor de padrao global, Fantozzi propoe trata-las como ativo - mapear, equivaler, conectar.
DiversityA filosofia construtiva: nao demolir o que existe para construir novo. Construir ponte entre o existente. WLSG como engenheiro de ponte - papel mais sofisticado do que pretensao de criar standard global.
Bridge"Bridges are easier than new buildings - and they last longer."