R

Stream A8 — Water Loss 2026

Rodrigo Albuquerque Gonçalves

Apresenta na Stream A8 — NRW Assessment and Strategy Part A, com o caso de Fortaleza-CE: redução de perdas por implantação de DMCs com remuneração baseada em performance, em parceria Enopse Engenharia + CAGECE.

Stream A8 Brasil Fortaleza-CE Performance
7
Anos na Enopse
130k
Ligações ativas
52,9%
Perdas iniciais
140
Pico de equipe

Sobre o palestrante

Quem é Rodrigo Albuquerque Gonçalves

Rodrigo Albuquerque Gonçalves é engenheiro civil e há 7 anos atua em contratos de redução de perdas na Enopse Engenharia. Em A8 do Water Loss 2026, apresentou a parceria Enopse + CAGECE para Fortaleza-CE — um contrato performado, dividido em três fases (estudos, implantação obrigatória e depuração), com remuneração atrelada diretamente a metas operacionais. O caso reúne os dois traços que tornam o programa interessante para outras concessionárias brasileiras: governança contratual rigorosa e equipe técnica multidisciplinar de até 140 colaboradores no pico de mobilização.

Enopse Engenharia

Engenharia especializada em programas de redução de perdas hídricas com contratos performados. Atua em projetos integrados — pesquisa de vazamentos não visíveis, sectorização, implantação de VRPs e DMCs, troca de hidrômetros e gestão social/ambiental. O case de Fortaleza-CE é uma das operações de maior escala da empresa.

EnopseBR

Parceria CAGECE

A CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) é a contratante. O contrato com a Enopse é um modelo performado em três fases: 6 meses de estudos e projetos, 12 meses de implantação obrigatória, e fase de depuração para verificar resultado. A remuneração da contratada é parcialmente atrelada às metas atingidas.

CAGECECE

"Parte da remuneração do contrato está atrelada ao alcance das metas operacionais."

— Rodrigo Albuquerque Gonçalves, Enopse Engenharia

Tese central

Contrato de performance: o risco compartilhado funciona

Três fases bem delimitadas

Fase 1 (6 meses): estudos e projetos detalhados, definição do escopo mínimo obrigatório. Fase 2 (12 meses): implantação obrigatória — pesquisa e remoção de vazamentos, troca de hidrômetros, sectorização. Fase 3: depuração e medição do resultado contra a baseline. Sem fase 1 sólida, fases 2 e 3 não fazem sentido.

FasesGovernança

Bonificação entre 20 e 45 meses

O contrato prevê bonificação de performance que pode ocorrer entre o 20º e o 45º mês, dependendo da área. Esse intervalo amplo permite à contratada ajustar estratégia ao longo do tempo — não basta entregar tudo no final. O incentivo está distribuído ao longo do ciclo de operação.

Bonus20-45 meses

Equipe multidisciplinar — não só engenharia

Pico de 140 colaboradores no contrato, abrangendo engenharia, segurança do trabalho, financeiro, contábil, social e ambiental. Na fase de operação a equipe reduz para cerca de 25 pessoas para manter o resultado. Redução de perdas é problema de engenharia, mas também de gestão social, conformidade ambiental e relacionamento comunitário.

Multidisciplinar140 pessoas

"O contrato performado obriga a contratada a entregar resultado, não apenas atividade."

— Rodrigo Albuquerque Gonçalves em A8

Dados de aplicação

Dois setores de Fortaleza, perfis muito diferentes

O contrato cobre dois setores de Fortaleza-CE com características divergentes. O primeiro tem cerca de 108.000 ligações ativas e perda em torno de 57%, com fator de pesquisa elevado e indício de vazamento noturno. O segundo tem 22.000 ligações ativas e perda em torno de 34%; aqui apenas 7% das interrupções de fornecimento foram detectadas, o que aponta para perdas predominantemente diurnas, mais difíceis de identificar. A baseline conjunta dos dois setores ficou em 52,9% do volume distribuído, e a meta é reduzir 20 pontos percentuais.

108k
Ligações ativas no setor maior, com índice de perdas inicial em torno de 57%. Aqui o vazamento noturno é predominante.
22k
Ligações ativas no setor menor, com perda em torno de 34% e apenas 7% das ocorrências de falta de fornecimento detectadas — sinal de vazamento diurno difícil.
52,9%
Baseline conjunta dos dois setores. A meta contratual é reduzir 20 pontos percentuais do volume distribuído (VPBL — volume perdido baseline).
10 km
De rede substituídos durante a fase de implantação — mais que o dobro dos 4,3 km originalmente previstos no contrato. A revisão veio dos estudos da fase 1.

Metodologia integrada

Escopo mínimo obrigatório + ações complementares

DMCs com macromedição

Os Distritos de Medição e Controle (DMCs) foram desenhados com macromedidor na entrada e telemetria conectada ao Centro de Controle Operacional (CCO) da CAGECE. Esse arranjo permite acompanhamento horário do balanço hídrico e detecção rápida de desvios — o ponto mais crítico em contrato de performance.

DMCCCO

VRPs e gestão de pressão

Implantação de válvulas redutoras de pressão em pontos estratégicos. A gestão de pressão reduz a frequência de novos vazamentos e o volume perdido pelos vazamentos existentes — duas frentes que se complementam. A revisão de campo elevou o número de trechos de rede substituídos para mais que o dobro do contratado.

VRPPressão

Pesquisa e remoção de vazamentos

Pesquisa ativa de vazamentos não visíveis com pitometria, geofones e correlação acústica. A pesquisa é integrada à troca de hidrômetros — a equipe de campo identifica simultaneamente vazamento, hidrômetro defeituoso e ligação irregular. Em projeto performado, cada ocorrência identificada vira receita.

PitometriaAcústica

Capacitação contínua

A equipe da Enopse recebeu treinamento direto da CAGECE para padronizar procedimentos de ligação, operação de VRP, pitometria e serviços correlatos. Em paralelo, capacitou os próprios inspetores de saneamento da CAGECE — transferência de conhecimento que segue depois do fim do contrato. Capacidade institucional vira ativo permanente.

TreinamentoCAGECE

Programa social e ambiental

Execução do Programa de Gestão Social e Ambiental como parte do escopo contratual obrigatório. Esse componente garante que a redução de perdas dialoga com as comunidades atendidas e cumpre exigências de licenciamento — em Fortaleza, particularmente sensíveis em áreas urbanas densas.

SocialAmbiental

Casos comparados

Setor de 108k vs. setor de 22k: estratégia diferente

Setor maior — vazamento noturno

108k ligações, 57% de perda. O fator de pesquisa elevado e o consumo da madrugada apontam para vazamento noturno crônico — onde a pressão sobe e a leitura de campo fica mais confiável. Aqui a gestão de pressão e a busca ativa noturna são as ações de maior impacto.

NoturnoAlta perda

Setor menor — vazamento diurno

22k ligações, 34% de perda. Apenas 7% das interrupções de fornecimento foram detectadas no setor — sinal de que o vazamento ocorre durante o dia, mascarado pelo consumo. A estratégia muda: diagnóstico fino, hidrômetros de classe C e ações comerciais para identificar perdas aparentes.

DiurnoDifícil

Baseline conjunta — 52,9% do VP

A baseline definida no contrato é 52,9% do volume distribuído. A meta contratual é reduzir 20% do volume distribuído (chamado VPBL — volume perdido baseline). Esse VPBL recuperado é a métrica de pagamento — quanto mais perto de 396 m³/dia recuperados na referência da apresentação, maior a bonificação.

VPBLMétrica

Insights da palestra

Pontos-chave do caso Fortaleza-CE

Performance distribui risco entre as partes

O contrato performado da CAGECE com a Enopse não é o modelo tradicional de pagar por atividade. Parte da remuneração só sai se as metas são atingidas — e isso muda o comportamento da contratada: prioriza ações de alto impacto e evita gastar capital em obras de baixa eficiência.

Estudos da fase 1 valem cada centavo

Os estudos da fase 1 indicaram que era preciso substituir mais que o dobro do trecho de rede previsto (10 km contra 4,3 km contratuais). Sem fase de estudo bem feita, a fase 2 entrega trabalho errado. O custo extra de Estudos é o seguro contra escolha tecnológica e operacional equivocada.

Equipe multidisciplinar — não só engenharia

Pico de 140 colaboradores cobre engenharia, segurança do trabalho, financeiro, contábil, social e ambiental. Em redução de perdas no Brasil, falta de conformidade social e ambiental atrasa execução tanto quanto problema técnico — e o caso de Fortaleza estrutura essas frentes desde o início.

Setor de 22k é o mais difícil

Embora menor, o setor de 22.000 ligações é o mais complicado — perda de 34% com vazamento diurno mascarado por consumo regular. Apenas 7% das ocorrências de falta foram detectadas. Aqui a engenharia clássica (ouvido + correlação) tem limite, e perdas aparentes ganham peso.

Telemetria + CCO em tempo real

Cada DMC com macromedidor na entrada conectado por telemetria ao Centro de Controle Operacional da CAGECE. Operação consegue ver desvio de fluxo na hora — premissa básica para um contrato performado, onde 'perda noturna foi compensada com ação de pressão' precisa ser fato auditável.

Capacitação dupla — Enopse + CAGECE

Não basta capacitar a equipe da Enopse: o contrato treina também os inspetores de saneamento da CAGECE. Quando o contrato termina, o conhecimento permanece na concessionária. Isso transforma um contrato performado em ativo institucional.

Bonificação distribuída no tempo

Em vez de pagar tudo no fim, o contrato distribui a bonificação ao longo de 20 a 45 meses. Esse desenho dá previsibilidade financeira à contratada e impede que apenas o último mês decida o resultado — alinhando interesses ao longo da operação completa.

VPBL como única métrica de pagamento

O contrato escolhe uma métrica única — Volume Perdido Baseline (VPBL) recuperado — para evitar discussão. Métricas múltiplas geram litígio; uma só, com baseline auditada, simplifica o contrato e foca a operação. 396 m³/dia foi a referência citada na apresentação.

Filosofia técnica

Performance + capacidade institucional + governança

A filosofia que Rodrigo Albuquerque Gonçalves traz para o palco é a do contrato performado bem desenhado — três fases, métrica única, equipe multidisciplinar e capacitação dupla. Em vez de tratar redução de perdas como obra pontual, o programa Enopse + CAGECE constrói arquitetura contratual que distribui risco, alinha incentivos e deixa capacidade técnica permanente na concessionária. É um caminho replicável para outras utilities brasileiras, especialmente em regiões metropolitanas com setores de perfis muito diferentes.

Métrica única, baseline auditada

VPBL recuperado é a única métrica de pagamento variável — desenho contratual que evita discussão sobre indicadores combinados. A baseline conjunta de 52,9% precisa ser auditada antes do início da fase 2; sem isso o contrato não funciona.

VPBLAuditoria

Conhecimento que fica na utility

A capacitação dupla — equipe da Enopse e inspetores da CAGECE — é o mecanismo que torna o contrato sustentável depois do fim. Em redução de perdas, o problema retorna se a operação não souber sustentar a manutenção; deixar conhecimento institucional é tão importante quanto entregar resultado.

CapacitaçãoSustentável

"O contrato performado bem desenhado deixa, ao final, equipe da concessionária treinada e DMCs operando — não apenas resultado pontual."

— Rodrigo Albuquerque Gonçalves, Enopse Engenharia
🎓
Veja o conteudo deste palestrante na Nobox Academy
Resumos, transcricoes e cursos relacionados, organizados pos-evento.
Acessar