Sabrina Rodrigues Coelho

Stream C1 — Water Loss 2026

Sabrina Coelho

Engenheira da Sanasa Campinas. Apresenta “Gerenciamento de eventos com IA para redução de perdas”, em conjunto com Ana Yara Pax, na Stream C1 — Smart Monitoring and Predictive Analytics.

Sanasa Stream C IA Gestão de eventos Brasil
Sanasa
Utility — Campinas/SP
37% → 16,6%
Redução de perdas (histórico)
1994
Início do programa de perdas
IA + eventos
Frente de trabalho atual

Sobre a palestrante

Quem é Sabrina Coelho

Sabrina Rodrigues Coelho é engenheira da Sanasa Campinas, concessionária de saneamento do município de Campinas (SP, Brasil). No 10º IWA Water Loss 2026 apresentou na Stream C1, em conjunto com a co-autora Ana Yara Pax, o trabalho “Gerenciamento de eventos com IA para redução de perdas”. A apresentação atravessa três décadas de evolução do programa de perdas da Sanasa — de 37% para 16,6% — e a frente atual: usar inteligência artificial para detectar, classificar e priorizar eventos hidráulicos a partir de dados de monitoramento contínuo.

Engenheira em utility de referência

Atua na Sanasa Campinas, uma das utilities brasileiras com maior trajetória documentada em redução de perdas. Sua palestra contextualizou seis tópicos sobre a empresa — do programa estruturado de 1994 ao acordo de cooperação técnica que viabilizou a frente de IA.

SanasaCampinas/SPEngenharia

Co-autoria com Ana Yara Pax

A apresentação foi conjunta com Ana Yara Pax, também da Sanasa. Ana Yara abriu ("Meu nome é Ana Yara Pax, sou do Brasil") e Sabrina assumiu para detalhar os seis tópicos. A divisão entre as duas apresentadoras enfatizou a continuidade institucional do trabalho — não é projeto isolado, é frente permanente da utility.

Co-authorInstitutional

“É necessário estar com o monitoramento contínuo.”

— Sabrina Coelho, Sanasa Campinas

Tese da palestra

IA na gestão de eventos — o próximo patamar de redução de perdas

A tese central de Sabrina: redução de perdas é jornada de décadas, não projeto com fim. Cada platô exige nova ferramenta. Para a Sanasa, 30 anos de programa estruturado levaram a um patamar onde a fronteira atual não é mais “medir melhor”: é transformar dado de monitoramento em ação operacional rápida, evento por evento — e a IA é a ferramenta que viabiliza isso.

30 anos de programa contínuo

A Sanasa criou seu programa estruturado de redução de perdas em 1994. Passou de aproximadamente 37% de perda total para níveis na casa de 16,6%, com cerca de 8% identificados como perda física e os demais como aparente. "Isso sempre nos leva a ter uma melhoria contínua" — perda nunca está "resolvida".

1994 inícioContínuo

Sem monitoramento, não há controle

"Entendemos que é necessário estar com o monitoramento." O salto qualitativo da Sanasa veio quando deixaram de tratar perda como contagem mensal de balanço hídrico e passaram a tratar como série temporal monitorada. "E a partir disso nós iniciamos uma busca por soluções tecnológicas" — o gatilho para IA.

Continuous monitoringTime series

Eventos como unidade de gestão

A frente de IA da Sanasa não é genérica — é orientada a eventos: detectar quando algo muda, classificar o tipo (vazamento, manobra, falha em válvula), priorizar pela severidade. Mover-se de balanço hídrico mensal para gestão de eventos é o salto operacional que justifica a IA.

Event-drivenIA aplicada

“Isso sempre nos leva a ter uma melhoria contínua.”

— Sabrina Coelho, sobre a filosofia do programa Sanasa

Dados apresentados

30 anos de redução de perdas em números

A apresentação ancorou a tese em uma série de marcos históricos da Sanasa — números que tornam o caso brasileiro um benchmark documentado para utilities da América Latina.

37% → 16,6%
Sanasa Campinas — 30 anos de redução de perdas. Programa contínuo de gestão de NRW desde 1994. Passagem de aproximadamente 37% de perda total para níveis na casa de 16,6%, com cerca de 8% identificados como perda física e o restante como aparente.
1994
Início do programa estruturado. A Sanasa criou seu programa estruturado de redução de perdas em 1994 — uma das utilities brasileiras pioneiras na abordagem sistemática do tema. Cada nova fase trouxe nova ferramenta, nova frente, novo dado.
Zero capex
Plataforma de IA via cooperação técnica. "Algumas soluções que vieram de um acordo de cooperação técnica." A aquisição não envolveu contribuição financeira direta — foi parceria com universidades e centros de pesquisa. Modelo replicável sem licitação pesada.

“Não houve contribuição financeira para a aquisição da plataforma.”

— Sabrina Coelho, sobre o modelo de cooperação técnica

Abordagem técnica

Como a Sanasa estruturou três décadas de programa

A metodologia da Sanasa é um estudo de caso de continuidade institucional. Cada nova ferramenta não substitui a anterior — soma camada. Aqui as três frentes que compõem a abordagem hoje.

Monitoramento contínuo como base

A fundação é medição contínua de pressão e vazão em tempo quase-real. Sem dado em série temporal, não há IA possível. A Sanasa investiu no parque de medição antes de buscar algoritmos — ordem importante. Utilities que pulam essa etapa contratam plataforma e descobrem que o dado de entrada não existe.

SensoriamentoTempo quase-real

Gestão de eventos com IA

A camada atual é orientada a eventos: o algoritmo detecta variações nas séries temporais, classifica o tipo (vazamento, manobra programada, falha de válvula), atribui severidade e prioriza para ação do operador. Move o foco do balanço mensal para a intervenção diária.

Event detectionClassificaçãoPriorização

Cooperação técnica como vetor

A frente de IA viabilizou-se via acordo de cooperação técnica com universidades, não via aquisição comercial. É um modelo replicável para outras utilities públicas brasileiras: gargalo raramente é dado, é capacidade técnica para tratar o dado — cooperação cobre essa lacuna sem capex.

CooperationNo capex

Casos / Aplicações

Aplicação em escala metropolitana

A Sanasa atende a região metropolitana de Campinas (SP) — uma das maiores do estado de São Paulo. A trajetória do programa é um caso de evolução em escala real, não piloto.

Trajetória 1994-2026

Três décadas, múltiplas fases: início com balanço hídrico estruturado (anos 90), passagem para macromedição sistemática e setorização, então monitoramento contínuo, agora IA aplicada a eventos. Cada salto trouxe nova queda em pontos percentuais — mas também exigiu nova ferramenta. Caso de continuidade institucional raro no setor brasileiro.

30 anosMulti-fase

Plataforma de IA via universidade

A frente atual nasceu de acordo de cooperação técnica — sem aquisição financeira direta. Universidades e centros de pesquisa entregaram plataforma e know-how; a Sanasa aportou dado e contexto operacional. É um modelo de PPP técnica que outras utilities públicas podem replicar — especialmente onde licitação de software trava implementação.

Acordo técnicoReplicável

Pontos-chave

O que ficou da palestra

Perda é jornada, não meta

A Sanasa caiu de 37% para 16,6% em três décadas — e o programa segue ativo. Cada platô exige nova ferramenta. Quem trata redução de perdas como projeto com fim trava no primeiro plateau. A continuidade é o diferencial.

Eventos hidráulicos como unidade de gestão

A frente de IA não é genérica — é orientada a eventos: detectar quando algo muda, classificar o tipo, priorizar pela severidade. Mover-se de balanço hídrico mensal para gestão de eventos é o salto operacional que justifica a IA.

Cooperação técnica viabiliza o que capex não viabiliza

"Não houve contribuição financeira para a aquisição da plataforma." A Sanasa demonstra que utilities públicas brasileiras podem acessar IA sem licitação pesada via acordos de cooperação técnica com universidades.

Monitoramento contínuo é o pré-requisito

Sem dado de pressão e vazão em série temporal contínua, não há IA possível. A Sanasa investiu no parque de medição antes de buscar algoritmos. Utilities que pulam essa etapa contratam plataforma e descobrem que o dado de entrada não existe — ou existe ruim.

Co-autoria como sinal de continuidade

Apresentar em dupla, com Ana Yara Pax, sinaliza algo importante: o programa não depende de uma pessoa. Quando o trabalho é institucional, ele sobrevive a saídas, mudanças de cargo e turnover. É exatamente assim que utilities públicas mantêm progresso ao longo de décadas.

Brasil tem caso replicável de redução de perdas

A trajetória da Sanasa de 37% para 16,6% é um dos casos mais citáveis no setor de saneamento brasileiro. Levar essa narrativa ao IWA — em conjunto com a frente de IA — posiciona a utility como referência para outras prestadoras, brasileiras e da América Latina.

Cada platô exige nova ferramenta

O histórico mostra: balanço hídrico, setorização, monitoramento, IA. Cada salto demanda nova capacidade. Utilities que param em uma camada perdem o próximo platô — e perda de água contínua avançando enquanto a infraestrutura envelhece.

Universidade como parceiro estratégico

O acordo de cooperação técnica é um padrão sub-explorado no Brasil. Universidades têm capacidade técnica e bolsas; utilities têm dado real e problema concreto. A combinação entrega plataforma sem licitação — e ainda forma engenheiros para o setor.

Filosofia

Continuidade institucional vence projeto isolado

Para Sabrina, redução de perdas não é produto, é prática institucional — não depende de uma pessoa, depende de processo. A apresentação em dupla com Ana Yara Pax foi prova: o programa atravessa gerações, sobrevive a turnovers, e cresce a cada ferramenta nova. A IA, hoje, é apenas a camada mais recente de uma estrutura que vem se construindo desde 1994.

Programa que atravessa gerações

Trinta anos de redução contínua não se sustentam por projetos pontuais. Sustentam-se por estrutura institucional — gente, processo, dado, governança. A Sanasa é caso raro no setor brasileiro: programa que não quebrou em transições de gestão, mantendo direção técnica estável.

ContinuidadeInstitucional

Tecnologia é camada, não substituto

A IA não substitui o monitoramento contínuo, que não substituiu o balanço hídrico, que não substituiu a vistoria de campo. Cada camada se assenta sobre as anteriores. Pular fundamentais para correr atrás da fronteira tecnológica é a forma mais cara de descobrir que faltava base.

CamadasFundação

“O controle de perdas só evolui com monitoramento.”

— Sabrina Coelho, fechamento da palestra
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