
Stream A9 — Water Loss 2026
Apresenta na Stream A9 — NRW Assessment Part B: "Operational Excellence in Water Loss Reduction", insights de redes rurais e urbanas francesas pela CLC, com foco em redução de mão de obra via tecnologia.
Sobre o palestrante
Thomas Vienot é especialista da CLC — empresa francesa de consultoria e operação em redução de perdas — com anos de experiência em redes rurais e urbanas francesas. Em A9 do Water Loss 2026 apresentou "Operational Excellence in Water Loss Reduction: Insights from Rural and Urban Contexts in France" com foco em duas realidades opostas: redes rurais e acidentadas no centro da França (problema de pressão e ILR) e redes urbanas com pressão alta. A apresentação aborda em profundidade como a redução de mão de obra técnica em redes francesas — efeito demográfico — está sendo compensada com tecnologia.
A CLC é referência francesa em consultoria operacional para redução de perdas. O contexto da França tem traço peculiar — atrasos inevitáveis em projetos por restrições regulatórias e técnicas, e demografia que reduz mão de obra qualificada disponível. Tecnologia se torna substituto necessário, não opcional.
CLCFRA apresentação foca em rede do centro da França, território rural e acidentado. Aqui o ILR (Infrastructure Leakage Index) é o indicador-chave — combina perda real, comprimento de rede e pressão média. A combinação rural+pressão variável torna o controle muito mais complexo que rede urbana tradicional.
RuralHilly"Em redes francesas, atrasos são inevitáveis. Tecnologia precisa compensar a redução de mão de obra qualificada."
Tese central
Em rede rural com baixo consumo per capita, percentual de NRW infla artificialmente — uma perda absoluta pequena vira percentual gigante. A consequência: utilities rurais aparecem piores que urbanas, mesmo quando são tecnicamente melhores. ILR corrige isso ao normalizar pelo comprimento de rede e pressão.
ILRJustoEm terreno acidentado, a pressão varia muito ao longo da rede — pontos baixos sofrem alta pressão, pontos altos têm baixa. Isso significa que VRPs precisam ser distribuídas com precisão, e que a média de pressão da rede esconde extremos. Modelagem hidráulica fina é obrigatória.
PressãoVariávelA força de trabalho técnica francesa está envelhecendo e diminuindo. Não há substituição natural. A tecnologia (sensores, telemetria, IA) precisa cobrir a lacuna — a alternativa é deixar redes envelhecerem sem manutenção. Esse cenário também se aplica ao Brasil em municípios menores e zona rural.
DemografiaTech"ILR é a métrica que iguala redes rurais e urbanas — comparação por percentual injustamente penaliza o rural."
Dados de aplicação
O caso de Thomas é uma rede do centro da França — território rural e acidentado, com pressão variável ao longo do percurso. Os indicadores tradicionais como percentual de NRW falham aqui — uma rede com baixo consumo per capita parece pior do que é. ILR (Infrastructure Leakage Index) é o indicador adotado, combinando perda real, extensão da rede e pressão média operacional. A apresentação foca também na questão demográfica: a força de trabalho técnica francesa está em retração, exigindo automação para manter o controle de perdas.
Metodologia
ILR é métrica adotada para todas as redes — rural, urbana, com perfil pressurizado ou variável. A vantagem é comparabilidade — operadores podem dizer 'minha ILR é 1,5; nacional é 2,0' e a discussão técnica é direta. Sem ILR, comparar percentuais de redes diferentes é exercício de confusão.
ILRUniversalA solução francesa: instalar sensores acústicos, loggers de pressão e sistemas de telemetria em escala. Cada sensor cobre o que antes era responsabilidade de inspetor de campo. A operação muda — equipe pequena com painéis de controle, em vez de equipe grande com geofone.
SensoresTelemetriaEm rede acidentada, modelo hidráulico não é luxo — é obrigatório. Sem ele, posicionamento de VRP é por palpite. Com ele, cada válvula é dimensionada para a faixa de pressão real do trecho. Reduz custo de instalação errada e maximiza efeito por VRP.
ModeloVRPCasos comparados
Centro da França, terreno acidentado, baixo consumo per capita. Aqui percentual de NRW infla; ILR mostra realidade. A solução: VRPs distribuídas precisamente, sensores acústicos compensando equipe reduzida, telemetria contínua para detectar desvios.
RuralILRRede urbana francesa típica: pressão alta uniforme, alta densidade de clientes, NRW menor em percentual. Mesmo aqui, ILR adiciona valor — comparação entre cidades fica justa. A operação tem vantagem natural de escala, mas o problema demográfico é igual.
UrbanoAlta pressãoA grande conclusão é a defesa da ILR como métrica universal — válida para rural acidentado e urbano denso. Operacionalmente, a tecnologia (sensores + telemetria + modelagem) é o caminho comum para os dois contextos quando o RH humano é limitado.
UniversalTechInsights da palestra
O percentual de NRW comum infla em redes de baixa demanda. ILR (Infrastructure Leakage Index) corrige normalizando por extensão e pressão. Para utilities rurais, mudar para ILR é defesa racional contra ranking injusto.
A força de trabalho técnica francesa não vai voltar — é tendência demográfica. Tecnologia precisa cobrir o vazio. Sensores acústicos, loggers, telemetria e IA viram não-opcionais. Quem não automatiza deixa a rede envelhecer sem manutenção.
Em terreno acidentado, modelo hidráulico não é decoração. Cada VRP precisa ser dimensionada para faixa de pressão local. Sem modelagem, instalação é palpite e desperdício de capital. Com modelagem, cada VRP entrega máximo benefício.
Thomas mencionou que atrasos em projetos franceses são inevitáveis — é traço estrutural do setor. Cronogramas precisam ter buffers; orçamento precisa de contingência. Tentar prazo enxuto demais aumenta risco de aditivos contratuais.
A defesa de Thomas: redes rurais com ILR baixo são tecnicamente eficientes, mesmo aparecendo com NRW% alto. Mudança de métrica revela isso. Para utilities rurais, comunicação correta com regulador depende de adotar a métrica que conta a história verdadeira.
O Brasil interior tem realidade comparável: rede acidentada, baixo consumo per capita, falta de mão de obra qualificada. A solução francesa (ILR + sensores + modelagem + automação) é diretamente adaptável. CISARs e SISARs nordestinas são caso óbvio.
Sensores instalados são CapEx alto inicial, mas economia de OpEx ao longo da vida. Em redes francesas, o cálculo financeiro vira: investir em sensores agora economiza em pessoal pelos próximos 20 anos. Em país de RH escasso, é decisão racional.
Título da palestra é 'Operational Excellence' — não 'redução de perdas'. A diferença é importante: excelência operacional engloba todas as dimensões, não só perdas. Energia, satisfação do cliente, sustentabilidade. ILR é uma métrica entre várias.
Filosofia técnica
A filosofia que Thomas Vienot traz é mais ampla que redução de perdas — é excelência operacional em redes que envelhecem com força de trabalho diminuindo. ILR como métrica unificadora elimina a injustiça de comparar redes muito diferentes; tecnologia como substituto demográfico permite operação eficiente com equipe reduzida; modelagem hidráulica é o investimento que viabiliza tudo. Para o Brasil — especialmente interior e serviços rurais — a solução francesa é replicável e oferece arquitetura para a próxima década quando a demografia do setor brasileiro também vai apertar.
Adotar ILR no lugar de NRW% é decisão técnica — mas também política. Muda a forma como a utility é avaliada por regulador, prefeitura e mídia. Em região rural, é defesa contra narrativa enganosa que pinta utilities pequenas como ineficientes.
ILRPolíticaTecnologia é CapEx alto inicial. Em utilities sob restrição orçamentária, parece luxo. Mas a aritmética francesa mostra que sem CapEx em sensores agora, OpEx em pessoal explode no longo prazo. É decisão de horizonte — não decisão do trimestre.
CapExOpEx"Excelência operacional não é só redução de perdas — é gerir a operação inteira com recursos humanos limitados."