Valentina Cabbai

Stream B1 — Water Loss 2026

Valentina Cabbai

Engenheira ambiental em concessionária do nordeste italiano (fronteira com Eslovênia). 10 anos de DMA management, rede de 6.000+ km, parceria com Mueller para condition assessment acústico.

Pressure Mgmt Stream B DMA Itália Survival models
10 anos
DMA management na Itália
Itália
Concessionária no nordeste
6.000 km
Rede de tubulação
70%+ ferro
Composição do parque de tubos

Sobre a palestrante

Quem é Valentina Cabbai

Valentina Cabbai é engenheira ambiental em uma concessionária italiana próxima à fronteira com a Eslovênia. No 10º IWA Water Loss 2026 apresentou na Stream C1 um balanço de uma década implementando zoneamento de rede e DMA management. Introduzida pelo chair Hugh Chapman, sua fala atravessou o que sobra depois que a moldura conceitual já está montada: como a estratégia de renovação, controle de pressão e detecção de vazamentos amadurece em uma rede com mais de 6.000 km, 70%+ em ferro fundido e 160 km de idade desconhecida.

Engenheira em utility na fronteira

Atua em concessionária do nordeste italiano, região de fronteira com a Eslovênia. Combina formação em engenharia ambiental com 10 anos de prática em DMA management aplicado à infraestrutura europeia legada — rede que mistura tubos das décadas de 50, 60, 70 e 80, com componentes cuja idade nem está cadastrada.

ItáliaEngenharia ambiental

Uma década de DMA management

Sua apresentação pós-uma-década serve de contraponto a casos de utilities ainda no estágio de planejamento. Mostra o que muda quando o zoneamento deixa de ser projeto e vira processo: zoneamento maduro vira infraestrutura de decisão — sobre ele se decide renovação, pressão e detecção.

10 anosMaturidade

“Renewal strategy is really DMA-based.”

— Valentina Cabbai, Stream C1

Tese da palestra

Zoneamento não é entregável: é infraestrutura de decisão

A tese central de Valentina: depois de 10 anos, zoneamento maduro nunca está “pronto”. É a camada sobre a qual se decide renovação, pressão, detecção — cada DMA é unidade de planejamento, e a estratégia se reconstrói sempre que dado novo entra. Utilities que entregam o zoneamento e arquivam o projeto perdem o ativo principal: o uso contínuo da estrutura.

10 anos de zoneamento na Itália

"Tópico da minha apresentação é rede e zoneamento — DMA management", abriu Valentina. A apresentação pós-uma-década serve como contraponto a utilities ainda no planejamento: o que muda quando o zoneamento vira processo? "Tudo se resume a ter um bom planejamento" — e revisar prioridades a partir do que cada DMA está dizendo.

ItalyDMA

Renovação é baseada em DMA

"Nossa estratégia de renovação é realmente baseada em DMA." Cada zoneamento é dividido em sub-setores; sub-setores com alto vazamento são identificados; a substituição de tubos acontece onde há mais retorno. A mesma lógica guia controle de pressão (PRVs) e campanhas de detecção — ações se concentram onde o dado mostra dor.

Targeted renewalPRV

Aceitar o desconhecido e priorizar

"Esse é o meu slide mais importante: não sabemos a idade." Trabalhar com infraestrutura legada exige aceitar o desconhecido e ainda assim priorizar — o que coloca DMA management como a ferramenta de decisão prática nessa zona cinza. Esperar dado completo é o caminho para a paralisia.

LegacyDecision tool

“Esse é o meu slide mais importante: não sabemos a idade.”

— Valentina Cabbai, sobre os 160 km sem cadastro de idade

Dados apresentados

Escala da rede e composição do parque

Os números que dimensionam o desafio — e justificam por que zoneamento maduro é ferramenta indispensável para utilities com infraestrutura europeia legada.

6.000 km
Rede de tubulação. O parque de tubulação cobre mais de 6.000 km. Mais de 70% é ferro — fundido, dúctil e aço — com idade que cobre desde os anos 50 até hoje. Rede legada que exige decisões de priorização sob restrições de orçamento e dado incompleto.
160 km
Tubos sem idade conhecida. Bloco de cerca de 160 km cuja idade simplesmente não está cadastrada. Não é exceção em utilities europeias com infraestrutura legada — é condição normal. A maturidade está em construir métodos que funcionam mesmo com dado faltante.
10 anos
Implementação contínua de DMA management. Foco da renovação nas últimas décadas: ferro fundido das décadas de 50/60 e 70/80 — combinações de material e safra que historicamente concentram falhas. A regra geral: atacar primeiro o que se sabe que falha mais entrega o maior ganho operacional por euro investido.

“Tudo se resume a ter um bom planejamento.”

— Valentina Cabbai, sobre a estratégia de uma década

Abordagem técnica

De zoneamento conceitual a survival models

A metodologia da utility italiana compõe três camadas que se sobrepõem — cada uma adiciona granularidade à decisão de onde renovar primeiro, sem exigir que a anterior esteja perfeita.

DMA-targeted renewal

Cada zoneamento é dividido em sub-setores. Sub-setores com alto nível de vazamento são identificados via balanço de pressão e vazão. A substituição de tubos acontece onde o retorno é maior — mesma lógica guia colocação de PRVs e campanhas de detecção acústica. Ações concentram-se onde o dado mostra dor.

Sub-setoresPRV

Condition assessment acústico

Próxima fase: avaliação de condição usando métodos acústicos (e-pump-style) — "como o som se propaga pelo tubo, reflexão e atenuação" — para diagnosticar trechos sem precisar abri-los. Fronteira atual para utilities que já têm zoneamento maduro e querem refinar priorização além da idade nominal do tubo.

AcousticsNon-invasive

Survival models

Em paralelo, a empresa avalia adotar survival models para estimar probabilidade de falha por trecho, alimentados por dados estruturados e não-estruturados (registros operacionais, ordens de serviço, histórico de vazamento). "Isso vai melhorar a forma como projetamos a renovação" — sair da idade média e migrar para risco real medido.

SurvivalBIProbabilístico

Casos / Aplicações

Aplicação em utility italiana e parceria com Mueller

A prática concreta atravessa duas dimensões: a operação diária da utility na fronteira Itália-Eslovênia e o trabalho conjunto com fornecedor de tecnologia em projetos de longo prazo.

Utility na fronteira Itália-Eslovênia

Concessionária do nordeste italiano: rede de 6.000+ km, 70%+ ferro, 160 km sem cadastro de idade. Foco da renovação nas últimas décadas: ferro fundido das décadas de 50/60 e 70/80. Cada zoneamento dividido em sub-setores; cada sub-setor de alto vazamento entra em fila de prioridade. Resultado: capex direcionado, não pulverizado.

Itália/EslovêniaLegacy network

Parceria com Mueller

A apresentação foi conjunta com a Mueller (Dave Johnson, sales director). Padrão emergente em utilities europeias: parcerias técnicas com fornecedores de instrumentação, em projetos de longo prazo que cruzam dado da utility com tecnologia do fornecedor. Não é venda — é cooperação medida em anos.

MuellerCooperação

Pontos-chave

O que ficou da palestra

Zoneamento é processo, não entregável

Depois de 10 anos, a leitura de Valentina é que zoneamento maduro nunca está "pronto": ele é a infraestrutura sobre a qual se decide renovação, pressão, detecção. Utilities que entregam o zoneamento e arquivam o projeto perdem o ativo principal — o uso contínuo da estrutura como camada de decisão.

Idade desconhecida é parte do trabalho

160 km sem idade cadastrada não é exceção em utilities europeias com infraestrutura legada. A maturidade está em construir métodos que funcionam mesmo com dado faltante: avaliação de condição por acústica, indicadores indiretos via DMA, modelos estatísticos de sobrevivência. Esperar dado completo é paralisia.

Ferro velho concentra a renovação

Nas últimas décadas o foco foi substituir ferro fundido das décadas de 50, 60, 70 e 80 — material e idade que historicamente concentram falhas. A regra é geral: em redes europeias antigas, atacar primeiro o que se sabe que falha mais (material e safra) entrega o maior ganho operacional por euro investido.

Acústica entra para diagnóstico não-invasivo

Métodos acústicos (e-pump-like) permitem inferir estado da tubulação sem escavação: leitura de propagação, reflexão e atenuação do sinal. É a fronteira atual para utilities que já têm zoneamento maduro e querem refinar a priorização da renovação além da idade nominal do tubo.

Survival models são o próximo salto

Modelos de sobrevivência aplicam estatística de tempo-até-falha por segmento de tubo, usando dados estruturados e não-estruturados (registros operacionais, ordens de serviço, histórico de vazamento). A saída — probabilidade de falha por trecho — substitui a heurística da idade média.

Cooperação com fornecedores de tecnologia

A apresentação foi conjunta com a Mueller (Dave Johnson, sales director). Padrão emergente em utilities europeias: parcerias técnicas com fornecedores de instrumentação, em projetos de longo prazo que cruzam dado da utility com tecnologia do fornecedor. Não é venda — é cooperação medida em anos.

DMA como ferramenta de decisão sob incerteza

Quando 160 km de rede não têm idade cadastrada, é o DMA management que vira a ferramenta de decisão prática. Cada sub-setor reporta seu nível de vazamento; o ranking gerado vira ordem de priorização de renovação — sem precisar saber a idade exata de cada tubo.

Planejamento é o vetor central

"Tudo se resume a ter um bom planejamento." Depois de 10 anos, a lição de Valentina não é sobre tecnologia — é sobre disciplina de planejamento sistemático, com revisão contínua, alimentado por dado de DMA. Tecnologia é ferramenta a serviço desse planejamento.

Filosofia

Maturidade é trabalhar com o desconhecido

Para Valentina, a lição de uma década não é sobre tecnologia — é sobre disciplina. Utilities maduras aceitam que a infraestrutura legada vem com lacunas (idade desconhecida, cadastros incompletos, decisões históricas opacas) e ainda assim priorizam. O zoneamento é o instrumento que viabiliza essa decisão sob incerteza: cada DMA reporta dado real, e é sobre dado real que se decide renovar, controlar pressão, detectar vazamento.

Aceitar o legado, não esperar dado completo

160 km sem cadastro é condição normal em utilities europeias antigas, não exceção. Esperar mapeamento completo da rede para começar a renovar é postergar indefinidamente. Maturidade é construir métodos — acústica, DMA, survival models — que produzem decisão útil mesmo com base de dados imperfeita.

RealismoPragmatismo

Cooperação de longo prazo com fornecedores

A parceria com a Mueller exemplifica um padrão europeu: utilities não compram tecnologia, cooperam por anos com fornecedores. O fornecedor entrega tecnologia e expertise; a utility entrega dado real e contexto operacional. O resultado vai além de venda — é codesenvolvimento de método aplicado.

PPP técnicaMulti-anual

“Renewal strategy is really DMA-based.”

— Valentina Cabbai, fechamento da palestra
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